Talvez o melhor que eu tenha a fazer seja começar a me despedir de coisas que não terei mais logo mais. E o que terei? Será que terei? Onde estarei? Quem verei? A provação definitiva de elos supostamente fortes. As amizades que conquistei, os amores que vivi, a liberdade que adquiri. Tudo tenderá ao passado. Viver o máximo de cada instante não tem mostrado resultado porque muitas vezes arrasta outros egos comigo e nem sempre eles querem ser arrastados. A fase adulta que já não mais toca a campainha, esmurra a porta. Eu ainda assustada, escondo-me embaixo da cama, dentro de minha carapaça, em meu casulo.
Minha concha. Carrego coisas demais dentro dela -- haveria hora pior pra nascer? --, já não posso mais. Aos poucos até mesmo as minhas lembranças tenderão a me esquecer e aí já não serão mais.
Cinco anos. Não fui popular, não juntei dinheiro, não fui convidada a manter elos acadêmicos, não construí uma casinha colorida.
Alguns continuarão seus estudos, alguns viverão outros amores. E um dia ainda posso ser convidada para uma defesa de tese que não a minha, ou uma cerimônia de casamento que não o meu.
Construir uma vida... Perco pedaços de mim. Morrerei. Detestável de mim mesma.
Dois mil e onze, ponto-de-interrogação.
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