Acho que a gente sabe que ama alguém de verdade quando, mesmo tudo dando tão certo, você lembra da pessoa e tem vontade de chorar, apenas pela alegria de saber que a ama e que quer passar ao lado dela o resto de sua vida. Quando você tem a certeza mais absoluta de que sua vida não fará mais sentido se ela não estiver ali ao seu lado, compartilhando de cada momento de alegria ou tristeza, conquistas ou perdas, somente que não seja uma perda essa pessoa, porque ela estará ali, ao seu lado, segurando a sua mão e dizendo que estará ali, não importa o que aconteça. Quando cada xícara de café você gostaria que fosse tomada ao lado dela, que você pudesse acordar de um pesadelo à noite e ter a mão dela pra segurar e depois sentir passando a mão nos seus cabelos. Quando todas os outros habitantes da Terra deixam de ser interessantes, porque, não importa o que elas façam ou digam, ninguém o fará da forma boba ou até mesmo estranha que essa pessoa faz, mas que é apenas ela. Quando você tem vontade de abrir a porta e correr, correr, na chuva, no vento, no Sol, por quilômetros, não importa, mas chegar até a porta dela e dizer "vim te ver". Quando você se dá conta de que conseguiu sobreviver sem ela até então porque era tudo um preparo pra se encontrar com ela, e até mesmo seus erros não são condenados porque foram inclusive eles que lhe trouxeram até a pessoa. Porque ela te aceita. Aceita seus erros, aceita seus defeitos, lhe estende a mão e diz "caminha comigo".
Eu não poderia. Mas aqui é meu e se eu não disser, não transformar em palavras tudo o que sufoca, transforma, colore o meu interior, não serei grata por inteiro ao Universo, que me revelou esse presente tão lindo, mais lindo que um céu de nuvens de algodão.
Não quero errar mais, apenas no cálculo dos tijolos a comprar, para que assim possamos construir ao fundo de nossa casinha colorida, uma pequenininha para os cachorros muitos saltitantes e falantes que teremos. Pequenininha.
[Este é o post mais brega que eu já escrevi e de tão brega mostra o quanto amor há nele.]
sexta-feira, 3 de dezembro de 2010
quarta-feira, 1 de dezembro de 2010
Um vento, muito vento. Calor. O sono bate, mas não quero. É a obrigação de fazer algo, apenas o que me prende à teoria. Estou decepcionada sim e arrependida. Quero mandar à merda, foda-se. De verdade, às vezes tenho vontade de mandar tomar no cu. Eu tô com raiva de quê? De não ter o seu carinho? Ai, chega, cansei disso já. É uma vaca e pronto. Pára de xingar! Até isso.
Putz, não tô afim. Tô afim de quê? Nem sei o que eu quereria nessa época do agora. Uma limonada talvez? Não. SORVETE de limão! Queria... Queria... Uma casa? Imagino uma casa. Pequena. Livros. Ficaria feliz com livros, uma poltrona macia e confortável. Um lugar para pôr os pés. Isso sim me é essencial. Mas não com solidão. Penso nele. Nem faço questão de estapafúrdia, podia só estar ali, fazendo o que lhe deve, só saber que está ali, que vai me oferecer limonada. Ou eu a ele. Bebemos enquanto lemos, assistimos um filme, falamos sobre o dia. Assim, bem tranqüilo, nada demais. Pra que pompas? Não ligo. Quero só o carinho e a compainha. O bom dia e o boa noite.
Mas por que ele? Pelo simples fato de ME conhecer. Porque ninguém me conhece. Isso é pra poucos. É pra ele. Sei lá por que ele conseguiu, não me pergunte. Apenas foi. E eu o admiro, meu tesão é acadêmico, discursivo. Bem, o que não é também me interessa muito.
Tudo o que eu mais preciso agora é dinheiro. Ou paciência. Não, paciência só não ajuda. Sabedoria. Dinheiro ou sabedoria. (Eu não seria audaciosa de querer os dois, né?)
Monstros. Choros internos. Me arranco os cabelos. Enquanto cavo, cavo em profundo, desenterro, arranco, tiro os pedaços, meto na parede, aperto, aperto. Mato. Mas só isso leva meses. Cada um. E o dinheiro se indo, indo... assim como foi. Foi. Ah, e foi, foda-se. É pra ir mesmo! Puta, o problema é ter mais pra ir.
Sono. Queria dançar...
Putz, não tô afim. Tô afim de quê? Nem sei o que eu quereria nessa época do agora. Uma limonada talvez? Não. SORVETE de limão! Queria... Queria... Uma casa? Imagino uma casa. Pequena. Livros. Ficaria feliz com livros, uma poltrona macia e confortável. Um lugar para pôr os pés. Isso sim me é essencial. Mas não com solidão. Penso nele. Nem faço questão de estapafúrdia, podia só estar ali, fazendo o que lhe deve, só saber que está ali, que vai me oferecer limonada. Ou eu a ele. Bebemos enquanto lemos, assistimos um filme, falamos sobre o dia. Assim, bem tranqüilo, nada demais. Pra que pompas? Não ligo. Quero só o carinho e a compainha. O bom dia e o boa noite.
Mas por que ele? Pelo simples fato de ME conhecer. Porque ninguém me conhece. Isso é pra poucos. É pra ele. Sei lá por que ele conseguiu, não me pergunte. Apenas foi. E eu o admiro, meu tesão é acadêmico, discursivo. Bem, o que não é também me interessa muito.
Tudo o que eu mais preciso agora é dinheiro. Ou paciência. Não, paciência só não ajuda. Sabedoria. Dinheiro ou sabedoria. (Eu não seria audaciosa de querer os dois, né?)
Monstros. Choros internos. Me arranco os cabelos. Enquanto cavo, cavo em profundo, desenterro, arranco, tiro os pedaços, meto na parede, aperto, aperto. Mato. Mas só isso leva meses. Cada um. E o dinheiro se indo, indo... assim como foi. Foi. Ah, e foi, foda-se. É pra ir mesmo! Puta, o problema é ter mais pra ir.
Sono. Queria dançar...
domingo, 21 de novembro de 2010
Já me disseram, e não apenas uma vez, que tenho mãos ásperas. E tanto que tenho ultimamente até mesmo eu me incomodado com elas. As palmas chegam a soar como lixas quando são atritadas entre si. Acordo com as mãos ardendo e muitas vezes inchadas. Alivia-me somente ao contato da água fria da manhã. E não há hidratante que me resolva. É uma característica minha, meu escudo, meu casco. Sou áspera. Mesmo quando acarinho.
Ao menos tenho vantagem ao ofertar uma punheta.
Ao menos tenho vantagem ao ofertar uma punheta.
sábado, 13 de novembro de 2010
Talvez o melhor que eu tenha a fazer seja começar a me despedir de coisas que não terei mais logo mais. E o que terei? Será que terei? Onde estarei? Quem verei? A provação definitiva de elos supostamente fortes. As amizades que conquistei, os amores que vivi, a liberdade que adquiri. Tudo tenderá ao passado. Viver o máximo de cada instante não tem mostrado resultado porque muitas vezes arrasta outros egos comigo e nem sempre eles querem ser arrastados. A fase adulta que já não mais toca a campainha, esmurra a porta. Eu ainda assustada, escondo-me embaixo da cama, dentro de minha carapaça, em meu casulo.
Minha concha. Carrego coisas demais dentro dela -- haveria hora pior pra nascer? --, já não posso mais. Aos poucos até mesmo as minhas lembranças tenderão a me esquecer e aí já não serão mais.
Cinco anos. Não fui popular, não juntei dinheiro, não fui convidada a manter elos acadêmicos, não construí uma casinha colorida.
Alguns continuarão seus estudos, alguns viverão outros amores. E um dia ainda posso ser convidada para uma defesa de tese que não a minha, ou uma cerimônia de casamento que não o meu.
Construir uma vida... Perco pedaços de mim. Morrerei. Detestável de mim mesma.
Dois mil e onze, ponto-de-interrogação.
Minha concha. Carrego coisas demais dentro dela -- haveria hora pior pra nascer? --, já não posso mais. Aos poucos até mesmo as minhas lembranças tenderão a me esquecer e aí já não serão mais.
Cinco anos. Não fui popular, não juntei dinheiro, não fui convidada a manter elos acadêmicos, não construí uma casinha colorida.
Alguns continuarão seus estudos, alguns viverão outros amores. E um dia ainda posso ser convidada para uma defesa de tese que não a minha, ou uma cerimônia de casamento que não o meu.
Construir uma vida... Perco pedaços de mim. Morrerei. Detestável de mim mesma.
Dois mil e onze, ponto-de-interrogação.
sexta-feira, 22 de outubro de 2010
365
Beijos. Sorrisos. Conversas. Decepções. Abraços. Desilusões. Perfumes. Macarrão. Dug. Carícias. Bandejão. Banco. Pisco. Gargalhadas. Barba. Jornadas. Chocolate. Lágrimas. Marcas. Ressaca. Poemas. Biblioteca. Segredos. Fotografias. Orgasmos. Raiva. Fim do mundo. Supermercado. Finais-de-semana. Aceitação. Cabelos. Corujas. Chuveiro. Presentes. Riscos. Sinceridades. Colchão. Batom. Terceiros. Marilyn Mason. Filmes. Mentiras. Sofás. Festas. Filas. Mesas. Sarau. Computadores. Ônibus. Pães de queijo. Calças xadrez. Cuidados. Músicas. Surpresas. Flores. Benjamin Button. Porre. Calor. Danças. Caprichos. Salto alto. Maluquices. Esperas. Primeiro pedaço do bolo. Declarações. Afastamentos. Receitas. Lingeries. Pedidos. Pés. Malzbier. Agenda. Scraps. Discussões. Camisetas. Arranhões. Medos. Confiança. Sobremesas. Pêlos. Sonhos. Olhares. Excessões. Omissões. Cochilos. Carla Bruni. Atrasos. Elefantes. Persistência. Risadas. Psicanálise. Brigas. Plutão. Livros. Frio. Desculpas. Sala de informática. Doce. Páscoa. Los Hermanos. Desencontros. Companheirismo. Perdas. Ovo pipoquinha. Aventuras. Compromissos. Mapa astral. Ciúmes. Encontros. Aprendizado. Paciência. Juras. Aniversários. Teimosias. Massagens. Impedimentos. Amizade. Elogios. Tango. Sucos. Datas. E-mails. Filósofos. Coincidências. Chuva. Descobertas. Bicicleta. Fracassos. Planos. Origami. Mãos. Conforto. Edredom. Arrepios. Inveja. Maçã. Distância. Blogs. Amoras. Promessas. Amadurecimento. Pensamentos. Faculdade. Salgado. Snapshots. Cócegas. Cheiros. Vídeos. Mensagens. Suor. Histórias. Aproximações. Telefone. Silêncio. Cinema. Ciclovia. Desentendimentos. Exposições. Feijão. Sussuros. Trocas. Coelhos. Paixão. Testemunhos. Café-da-manhã. Escondidinho. Conselhos. Corredores. Natal. Força. Vídeos. Saudade. Preocupações. Aluguel. Desenhos. Provocações. Boinas. Vergonha. Mordidas. Suspensório. Dor. Confiança. Promessas. Passeios. Camisas. Lembranças. Madrugadas. Crescimento. Brincadeiras. Amor. Vida. Tudo.
domingo, 17 de outubro de 2010
-- Sabe o que eu mais queria esses dias? Ter um canto só meu.
-- Aieeee...
-- Estou começando a querer morar sozinha. Acho que estou virando adulta.
-- Sabe o que eu queria muito e FAZ TEMPO????!
-- O quê?
-- Ter um canto só nosso. Desculpa, não deveria ter dito isso...
-- Bem... Se as coisas tivessem corrido de outras formas, a essa altura estaríamos procurando um canto só nosso... Mas é melhor não falarmos nisso.
A utopia de sonhos abalados... Felizes, sim, felizes, mas que não podem ser planejados, apenas sentidos, no fundo da alma, como cada grão de areia é apenas ele, nada mais. Apenas amor, amor e amor. Planos não. As estrelas.
Um suspiro. E permaneço vivendo.
-- Aieeee...
-- Estou começando a querer morar sozinha. Acho que estou virando adulta.
-- Sabe o que eu queria muito e FAZ TEMPO????!
-- O quê?
-- Ter um canto só nosso. Desculpa, não deveria ter dito isso...
-- Bem... Se as coisas tivessem corrido de outras formas, a essa altura estaríamos procurando um canto só nosso... Mas é melhor não falarmos nisso.
A utopia de sonhos abalados... Felizes, sim, felizes, mas que não podem ser planejados, apenas sentidos, no fundo da alma, como cada grão de areia é apenas ele, nada mais. Apenas amor, amor e amor. Planos não. As estrelas.
Um suspiro. E permaneço vivendo.
quinta-feira, 7 de outubro de 2010
Chegou feito um bicho. Do jeito que eu gosto. Me beijou, me mordeu, me agarrou, me apertou, me arrancou a roupa, me jogou na parede, me derrubou, me lambeu, me cheirou, me puxou, me xingou, me molhou, me gozou. Como quis. Violento. Como gosto.
Fez-se Plutão. Suicidou-se. Não, ainda estava lá. Decepção. Alívio.
Não quis meus carinhos, não quis meu afeto. Foi-se. Assim como veio.
O amanhecer só. Comida, dilacerada, suada. Lá fora chove. Aqui dentro também. O ímpeto de me jogar na chuva. Não deu tempo. Estiou.
Solidão, pecados, doçura e desprazer. Comida, dilacerada, rasgada. Seca.
Era só um carinho, só um carinho. Um beijo, um afeto. Amor. Amor? Não, amor não...
E a vontade. A vontade...
Será que gosto?
Fez-se Plutão. Suicidou-se. Não, ainda estava lá. Decepção. Alívio.
Não quis meus carinhos, não quis meu afeto. Foi-se. Assim como veio.
O amanhecer só. Comida, dilacerada, suada. Lá fora chove. Aqui dentro também. O ímpeto de me jogar na chuva. Não deu tempo. Estiou.
Solidão, pecados, doçura e desprazer. Comida, dilacerada, rasgada. Seca.
Era só um carinho, só um carinho. Um beijo, um afeto. Amor. Amor? Não, amor não...
E a vontade. A vontade...
Será que gosto?
domingo, 26 de setembro de 2010
E conseguiu.
Um lugar simples, uma cantina da própria faculdade, mas que eu não conhecia. Comida vegetariana -- não come carne há sete anos --, conversa agradável. Já tinha nele confiança o bastante para conhecer seu escritório. Um lugar incrível, maravilhosamente arquitetado, piso de aquário, teto de vidro, bambus. E lá mesmo ficava seu aconchego pessoal, ainda que improvisado.
Depois de me passar algumas músicas xamânicas, ele se deitou no enorme colchão que ficava no chão mesmo e relatou várias de suas viagens espirituais. Contava de uma forma tão empolgante que até se o assunto não me interessasse passaria a me interessar. Ao fundo tambores e animais.
Alugamos um filme que de tanto me falar, tivemos que assistir naquele dia. Os músculos das minhas costas doíam imensamente, resultado das tantas atividades físicas que realizo durante a semana. Ele se ofereceu para uma massagem e eu permiti, realmente doía muito. Difícil não imaginar que dali não surgiriam carinhos que aos poucos seriam correspondidos. Ao terminar o filme, carinhos mais íntimos.
Não fomos até o fim porque não estava me sentindo fisicamente preparada para aquilo, não ficaria totalmente à vontade.
De qualquer forma, posso dizer que conseguiu o que nenhum estranho jamais conseguira: a chance de tentar.
Um lugar simples, uma cantina da própria faculdade, mas que eu não conhecia. Comida vegetariana -- não come carne há sete anos --, conversa agradável. Já tinha nele confiança o bastante para conhecer seu escritório. Um lugar incrível, maravilhosamente arquitetado, piso de aquário, teto de vidro, bambus. E lá mesmo ficava seu aconchego pessoal, ainda que improvisado.
Depois de me passar algumas músicas xamânicas, ele se deitou no enorme colchão que ficava no chão mesmo e relatou várias de suas viagens espirituais. Contava de uma forma tão empolgante que até se o assunto não me interessasse passaria a me interessar. Ao fundo tambores e animais.
Alugamos um filme que de tanto me falar, tivemos que assistir naquele dia. Os músculos das minhas costas doíam imensamente, resultado das tantas atividades físicas que realizo durante a semana. Ele se ofereceu para uma massagem e eu permiti, realmente doía muito. Difícil não imaginar que dali não surgiriam carinhos que aos poucos seriam correspondidos. Ao terminar o filme, carinhos mais íntimos.
Não fomos até o fim porque não estava me sentindo fisicamente preparada para aquilo, não ficaria totalmente à vontade.
De qualquer forma, posso dizer que conseguiu o que nenhum estranho jamais conseguira: a chance de tentar.
quinta-feira, 23 de setembro de 2010
Um maluco. Era sutilmente cortejada pela menina com quem outrora havia ficado, a mesma daquela festa anterior. Eis que me surge, já com ar de conhecido, dizendo-me que me via por um famigerado bar, o mesmo que outrora freqüentava para ir de encontro àquele que já passou. Porém não trouxe perguntas prontas, não me fez entrevistada. E assim, prendeu-me a atenção.
"Eu adoro você". No presente do indicativo, embora fosse a primeira vez que me falasse. Caralho, mas tinha um sorriso! E não fingia modéstia, assim como sabia que no fundo eu também sei o cabelo deslumbrante que possuo. Uma franqueza e percepção tamanhas que não me atrevia a dar-lhe sua sentença final de morte antes de mais uma pequena mostra de que poderia ser mesmo intrigantemente interessante, não antes que se completassem mil e uma noites.
A menina? Que menina? Já beijava outra. Ele, por sua vez, afirmou que não me tentaria beijar. Faria-me confiar nele, pois o que queria era me conhecer. E me adorava. Temas realmente interessantes a mim e, acima de tudo, abria sua vida de forma bem natural, dando-me confiança a ponto de eu mesma passar a lhe contar fatos próprios.
Do primeiro minuto ao último, repetiu algo como uma dezena de vezes seu e-mail, o qual manteria arquivado numa gavetinha mental que abriria eu de vez em quando apenas para cogitar a contrariedade de uma decisão já por mim estabelecida naquele adeus seguido de "a gente se encontra por aí". Nada apreciado por quem ouviu.
Dados em mente, mapa astral. Ascendente, quadratura. Não. Meu carimbo e assinatura abaixo.
Pouco mais de dois meses. Uma das mais agradáveis festas até o presente. Em meio à multidão, ele. Perdi. Dancei, bebi, fumei, ri. Viro-me, sorrio. "Eu falei que nos veríamos por aí.", "Hoje você me dará seu contato!", "Eu ainda sei seu e-mail.", "E por que não me escreveu?", "Rsrs..." Da noite, bastou.
Orkut. Passou-me mais informações pessoais. Insistência, e-mail. Convite para jantar. Jantar, o quê?? Quem, aqui em meu mundinho, já me chamou pra jantar?? Dias desesperada entre "que roupa?", "salto?", "mostrarei minha lingerie?", "divide-se a conta?", "vergonha", "afinal, aceito ou não?". Paranóias levadas pelo já telefonema a combinar já não mais um jantar, almoço.
Amanhã. Um desconhecido que foi capaz de me dobrar. Ganhou minha atenção, minha verdade, meu Orkut, meu e-mail, meu telefone, minha companhia para almoçar. Seis de Copas. E amanhã veremos o que mais será capaz de ganhar de mim.
"Eu adoro você". No presente do indicativo, embora fosse a primeira vez que me falasse. Caralho, mas tinha um sorriso! E não fingia modéstia, assim como sabia que no fundo eu também sei o cabelo deslumbrante que possuo. Uma franqueza e percepção tamanhas que não me atrevia a dar-lhe sua sentença final de morte antes de mais uma pequena mostra de que poderia ser mesmo intrigantemente interessante, não antes que se completassem mil e uma noites.
A menina? Que menina? Já beijava outra. Ele, por sua vez, afirmou que não me tentaria beijar. Faria-me confiar nele, pois o que queria era me conhecer. E me adorava. Temas realmente interessantes a mim e, acima de tudo, abria sua vida de forma bem natural, dando-me confiança a ponto de eu mesma passar a lhe contar fatos próprios.
Do primeiro minuto ao último, repetiu algo como uma dezena de vezes seu e-mail, o qual manteria arquivado numa gavetinha mental que abriria eu de vez em quando apenas para cogitar a contrariedade de uma decisão já por mim estabelecida naquele adeus seguido de "a gente se encontra por aí". Nada apreciado por quem ouviu.
Dados em mente, mapa astral. Ascendente, quadratura. Não. Meu carimbo e assinatura abaixo.
Pouco mais de dois meses. Uma das mais agradáveis festas até o presente. Em meio à multidão, ele. Perdi. Dancei, bebi, fumei, ri. Viro-me, sorrio. "Eu falei que nos veríamos por aí.", "Hoje você me dará seu contato!", "Eu ainda sei seu e-mail.", "E por que não me escreveu?", "Rsrs..." Da noite, bastou.
Orkut. Passou-me mais informações pessoais. Insistência, e-mail. Convite para jantar. Jantar, o quê?? Quem, aqui em meu mundinho, já me chamou pra jantar?? Dias desesperada entre "que roupa?", "salto?", "mostrarei minha lingerie?", "divide-se a conta?", "vergonha", "afinal, aceito ou não?". Paranóias levadas pelo já telefonema a combinar já não mais um jantar, almoço.
Amanhã. Um desconhecido que foi capaz de me dobrar. Ganhou minha atenção, minha verdade, meu Orkut, meu e-mail, meu telefone, minha companhia para almoçar. Seis de Copas. E amanhã veremos o que mais será capaz de ganhar de mim.
sexta-feira, 10 de setembro de 2010
Plutão na Casa Oito e a última prestação do colchão.
É possível se apaixonar duas vezes pela mesma pessoa? E pelo ex-namorado? Eu, pelo menos, não imaginava que seria.
Acordei radiante, pois não apenas dançaria tango ao final do dia, mas dançaria com ele. E tango. Tapeei Chronos, tomei aquele banho e escolhi a melhor lingerie.
A aula foi perfeita, a melhor até então. Conseguimos ensaiar os passos como que ensaiássemos uma noite de amor. E ensaiávamos mesmo. A apresentação veio depois, quando éramos artistas e platéia de um mesmo espetáculo.
Certo ou errado, nossos corpos foram movidos pela paixão que reacendia de uma brasa nunca verdadeiramente apagada. Eram dois bichos. Rosnando, se cheirando, medindo forças. Amando-se inocentemente.
De todos os tangos, infinitamente o melhor.
Eu o quero de volta, estou decidida. Não seria possível haver no mundo alguém com quem eu mais queira uma casinha colorida com cerquinha branca e jardim, um cachorro saltitante, criançada descalça pelos corredores e café com livro numa manhã chuvosa. Sim, eu o deixei, talvez um dos maiores erros que já cometi, mas dei minha cara a tapa por um futuro de conto de fadas.
Plutão. A morte lhe reina o estado de espírito até os capilares mais finos dos dedos dos pés. E não há vida pós Reino dos Mortos.
Abraçou-me em profundo desespero de não saber conter o pranto doído que me matava por dentro.
Nada mais poderia ser feito. Somente abrir o portão e dizer adeus.
Aos soluços ecoantes, apenas uma confirmação antes das minhas últimas forças desse dia. O mesmo Plutão vinte e três anos antes imperando naquela manhã, transitava nessa noite pelos domínios da Casa Oito.
O último átimo de lucidez antes de me entregar à completa exaustão, à já completa impossibilidade de abrir os olhos inchados: pagaria neste exato mês a última prestação do colchão.
Acordei radiante, pois não apenas dançaria tango ao final do dia, mas dançaria com ele. E tango. Tapeei Chronos, tomei aquele banho e escolhi a melhor lingerie.
A aula foi perfeita, a melhor até então. Conseguimos ensaiar os passos como que ensaiássemos uma noite de amor. E ensaiávamos mesmo. A apresentação veio depois, quando éramos artistas e platéia de um mesmo espetáculo.
Certo ou errado, nossos corpos foram movidos pela paixão que reacendia de uma brasa nunca verdadeiramente apagada. Eram dois bichos. Rosnando, se cheirando, medindo forças. Amando-se inocentemente.
De todos os tangos, infinitamente o melhor.
Eu o quero de volta, estou decidida. Não seria possível haver no mundo alguém com quem eu mais queira uma casinha colorida com cerquinha branca e jardim, um cachorro saltitante, criançada descalça pelos corredores e café com livro numa manhã chuvosa. Sim, eu o deixei, talvez um dos maiores erros que já cometi, mas dei minha cara a tapa por um futuro de conto de fadas.
Plutão. A morte lhe reina o estado de espírito até os capilares mais finos dos dedos dos pés. E não há vida pós Reino dos Mortos.
Abraçou-me em profundo desespero de não saber conter o pranto doído que me matava por dentro.
Nada mais poderia ser feito. Somente abrir o portão e dizer adeus.
Aos soluços ecoantes, apenas uma confirmação antes das minhas últimas forças desse dia. O mesmo Plutão vinte e três anos antes imperando naquela manhã, transitava nessa noite pelos domínios da Casa Oito.
O último átimo de lucidez antes de me entregar à completa exaustão, à já completa impossibilidade de abrir os olhos inchados: pagaria neste exato mês a última prestação do colchão.
sábado, 29 de maio de 2010
Uma festa ordinária. Uma festa banhada de veneno. Música chata, gente comum, bebida paga --além da entrada -- e eu sem dinheiro. Nada me restou a não ser fumar a noite inteira lucidamente. Apenas a minha maldade intrínseca e arrogância plena me satisfizeram ao dar grandes foras em dois sacripantas. Voltei pra casa com aquela insatisfação de quem vai ao cinema curtir um bom filme e volta apenas com a barriga cheia de pipoca.
Todavia, na noite seguinte, havia a possibilidade de redimir meu Vênus. E aquela foi a festa perfeita do ano.
Uma banda supostamente famosa, e muito boa, por sinal. A não necessidade de pagar a entrada, já que a festa acontecia no próprio campus da universidade -- e onde, geralmente, acontecem as melhores festas. A discotecagem anterior e posterior à banda, eu simplesmente nunca havia ouvido em festa alguma, era estupenda. As luzes! Uma psicodelia transcendental. A maravilhosa pinguinha em diversos sabores de um conhecido roots que já tem feito a minha alegria alcoólica há algum tempo. E para completar, um delicioso choconhaque.
Faltava apenas um elemento para a noite tornar-se verdadeiramente perfeita. E esse elemento surgiu, ao primeiro olhar, numa daquelas ocasiões em que suas colegas querem mudar de lugar para ver melhor a banda. Eu, particularmente, sempre prefiro a pista. Porque é lá que as coisas acontecem. Porém, não podia ficar avulsa às colegas.
E nesse entremeio de procurar o local mais adequado a montar acampamento foi que lhe cruzei o olhar. O empurra-empurra e apenas um rápido olhar descompromissado e despropositado. Não me era estranho. Apenas inexplicavelmente notável.
Ao primeiro momento, não lhe dei atenção. Guardei a sensação no inconsciente. Porém, ave de rapina e venusiana que sou, dei início à caça. Aquela, mais do que qualquer noite, merecia uma belíssima conjunção Marte-Vênus em sua plenitude astral.
Fui levada a um posto mais alto da festa, de onde podia ver tudo e todos, entretanto apenas isso podia fazer: ver. Não se podia dançar ao pé daquela árvore, que, aliás, abrigava um abarrotado de gente, entre mim, minhas colegas e até um casal muito apaixonado que insistia em puxar meu cabelo quando se beijavam freteticamente.
Mas foi dali, do pé daquela árvore, que eu pude ver novamente e dessa vez reparar com calma naquela figura tão notável. Exatamente atrás da banda, uma barba vistosa, cabelos buclés, com o cumprimento de quem esperava minhas mãos os entrelaçarem vigorosamente com carinho, grandes argolas nas duas orelhas e um pequeno sonho contido meu estampado em seu rosto.
E de repente percebi que já não mais conseguia lhe desviar o olhar já correspondido. Cada qual com sua idiossincrasia. Eu, um bicho selvagem, medindo a caça e planejando meu ataque. Ele, timidamente curioso, tendia a se esconder atrás de uma faixa que descia do teto, mas que não ocultava seu olhar de desejo.
Precisava apenas de um pretexto. No bolso apenas dois cigarros. Acendi o penúltimo. Exalava aquela fumaça lentamente, encobrindo e revelando quase instantaneamente meus olhos desejosos. Até que subitamente minha caça escapa aos poucos do meu olhar. E foi a hora que achei propícia para esticar minhas asas e alçar vôo. Intencionando encontrá-lo no meio da pequena grande distância que nos separava, saí à procura. Mas, ao contrário do que cheguei a pensar num primeiro momento, não foi ao meu encontro que ele foi. Mas ao banheiro. Menos mal. Ainda não me impedia de fazer minha investida. Porém, como já voltava e também não me vira, aproveitei para fazer a mesma visita. O antro em que muitos tomam aquele enorme suspiro de coragem. Eu, por minha vez, apenas tomei o cuidado de apagar o cigarro, a fim de utilizá-lo ainda para o meu destinado propósito. Conhecidas vizinhas na fila. Olhares que no momento não me quiseram interessar. E, na volta, a parada foi ali mais próximo, atrás da banda.
O susto ao notar a minha proximidade. E as confissões risonhas com uma amiga. Eu, ainda na ponta dos pés, podia ver seu olhar desejoso ainda mais forte por mim acima das cabeças das pessoas. E a cada distraída dele, um passo a mais. Até que... correu. Mas que diabos? Estou atrás de um homem ou de uma bichinha virgem? E nesse intervalo foi que sua amiga veio ao meu encontro.
-- Qual é a do seu amigo?
-- Ele é tímido!
E assim descobri que a timidez pode chegar ao extremo e ultrapassar a quinta série.
Aguardei ansiosamente a sua volta. E eis que, a duas pessoas de distância, lá estava ele de novo, agora com uma latinha de cerveja na mão. Um passo a mais. Mais um passo. E lá estava eu ao seu lado. Um risinho para a amiga que já se preparava pra se mandar e a intimidação.
-- É impressão minha ou você tá fugindo de mim?
-- Não... (senti que se houvesse um buraco no chão, seria lá que estaria com a cabeça a partir daquele momento.)
-- Você fuma?
-- Não. Quer? -- e me ofereceu a cerveja.
Enfim, todo o meu plano estratégico era apenas isso, oferecer-lhe um trago de cigarro. Oras, melhor do que frases prontas! É a minha estratégia para o caso de dar tudo errado, eu apenas "estou fumando aqui, não estou fazendo nada". E claro, ter onde pôr as mãos, que torna-se uma difícil tarefa nessas situações.
E a timidez que tanto lhe impediu de me procurar durante a festa foi se desfazendo ao procurar com suas mãos os meus cabelos, que eram apertados com uma força quase dolorosa:
-- Posso?
-- Pode... (Não só pode como deve... Eu a essa altura já com a mão em torno de sua cintura.)
Combinamos telepaticamente de aguardar o final daquela música. Os últimos acordes. Um degrau abaixo e nos encaramos pela primeira vez. Alguns segundos um admirando o olhar estranho do outro, agora mais próximo que nunca. E seus lábios aqueciam os meus.
domingo, 16 de maio de 2010
Lembrar-me de não ser tão carente e ficar abusando do meu ex-namorado nem de outros admiradores. Não seja egoísta, nem tente ficar com todos. O melhor é ser auto-suficiente e deixar com que essas coisas aconteçam naturalmente. Até porque não se ignora a energia contraditória de Vênus em oposição a Urano.
Meu mais recente ex-namorado e eu atingimos, finalmente, um equilíbrio. Desde que terminamos, não paramos de nos ver, e temos ficado quase sempre que nos vemos. Procuramos um ao outro quando queremos contar uma novidade, desabafar. E fico feliz quando falo ou estou com ele. A diferença é que agora não tenho mais o dever de dar explicações da minha vida a ele. E ele mesmo passou a não exigir nada de mim. E dessa forma conseguimos nos dar bem, aceitamos que a nossa convivência obrigatória é praticamente impossível, mas não temos como ignorar um tal Vênus em conjunção com Sol na Casa Onze.
Enquanto isso, eu, na minha posição de liberal, amo tantas pessoas quanto posso. E agora dei para me encantar igualmente pelo amigo e companheiro de república do famigerado rapazote. Este tem a vantagem do maravilhosíssimo corpo, associado aos lindos olhos verdes. Mas é com o outro que tenho os mais agradáveis diálogos. Quero os dois pra mim. Simplesmente.
E olha que nem seria assim tão difícil, ein? Só de pensar nos beijos que já vi os dois trocando...
O problema está numa fêmea, uma leoa insaciável (mais que eu), que agora deu para querer todos os homens da faculdade. E não é que aquela ninfeta tem conseguido conquistar os corações viris? Eu, por minha vez, ainda que por inveja ou ciúmes, a vejo como uma ainda "garota Capricho", aquela revista pré-adolescente. Reconheço que ela se esforça para não sê-la, mas dou-lhe ainda pelo menos um ano para ter o meu respeito. O lado açúcar dessa história é que eu acabei dando maior liberdade do que hoje gostaria de ter-lhe dado, porque na época via a luz de uma amizade. O veneno, contudo, se apropriou do contexto. E vendo o meu Vênus, a minha Lua se sentindo ameaçados, sinto-a como uma rival.
Idiotíssimo isso.
Enquanto isso, eu, na minha posição de liberal, amo tantas pessoas quanto posso. E agora dei para me encantar igualmente pelo amigo e companheiro de república do famigerado rapazote. Este tem a vantagem do maravilhosíssimo corpo, associado aos lindos olhos verdes. Mas é com o outro que tenho os mais agradáveis diálogos. Quero os dois pra mim. Simplesmente.
E olha que nem seria assim tão difícil, ein? Só de pensar nos beijos que já vi os dois trocando...
O problema está numa fêmea, uma leoa insaciável (mais que eu), que agora deu para querer todos os homens da faculdade. E não é que aquela ninfeta tem conseguido conquistar os corações viris? Eu, por minha vez, ainda que por inveja ou ciúmes, a vejo como uma ainda "garota Capricho", aquela revista pré-adolescente. Reconheço que ela se esforça para não sê-la, mas dou-lhe ainda pelo menos um ano para ter o meu respeito. O lado açúcar dessa história é que eu acabei dando maior liberdade do que hoje gostaria de ter-lhe dado, porque na época via a luz de uma amizade. O veneno, contudo, se apropriou do contexto. E vendo o meu Vênus, a minha Lua se sentindo ameaçados, sinto-a como uma rival.
Idiotíssimo isso.
sexta-feira, 14 de maio de 2010
Primeiro grande porre da minha existência. Foi vodca demais pra mim. A pior sensação do Universo, meu Deus! As forças acabaram, era só vômito e tudo girando. Nem as músicas mais maravlhosas tocando conseguiram me dar poder para me levantar e dançar. O negócio era ficar quieta e comer aquele pãozinho de fôrma dado com muito carinho a mim (veja que bêbada gracinha, eu peço pão de fôrma para passar a bebedeira...). Meus amigos, que chegaram comigo, nem vi o rastro. Soube depois que uma deles nem sabe como chegou em casa. Festa do capeta!
Ainda assim, após a grande aliviada do meu fígado, minhas pernas não tinham energia suficiente para me guiar até em casa. Foi lá mesmo que depositei a minha carcaça humana.
Na cama de um francês. Um francês que dormia ao meu lado, num colchãozinho no chão. Uuuh..! A oportunidade de uma noite internacional. O puta frio que me instigou a dividir um espaço mais apertadinho com ele. E o arrependimento do PIOR beijo que já dei em toda a minha existência!! E se o beijo era desses, poupo-me de descrever o que (não) veio depois. Juro, o PIOR beijo!! Meu...! O PIOR SELINHO!!! Até o SELINHO!!! Onde já se viu alguém ser capaz de dar o pior selinho??
E dessa experiência aprendi uma grande lição: nada como um bom brasileiro te chamando de "minha nega"...!
Ainda assim, após a grande aliviada do meu fígado, minhas pernas não tinham energia suficiente para me guiar até em casa. Foi lá mesmo que depositei a minha carcaça humana.
Na cama de um francês. Um francês que dormia ao meu lado, num colchãozinho no chão. Uuuh..! A oportunidade de uma noite internacional. O puta frio que me instigou a dividir um espaço mais apertadinho com ele. E o arrependimento do PIOR beijo que já dei em toda a minha existência!! E se o beijo era desses, poupo-me de descrever o que (não) veio depois. Juro, o PIOR beijo!! Meu...! O PIOR SELINHO!!! Até o SELINHO!!! Onde já se viu alguém ser capaz de dar o pior selinho??
E dessa experiência aprendi uma grande lição: nada como um bom brasileiro te chamando de "minha nega"...!
quarta-feira, 5 de maio de 2010
terça-feira, 4 de maio de 2010
Sol em conjunção com Sol. Eu sei, eu sei que não deveria. Minha companheira de quarto chegou a ficar surpresa com o fato de eu me preocupar tanto em agradar às pessoas. Um enorme defeito que atrapalha não aos outros, mas a mim mesma. Sou apenas eu que vomito meu fígado de nervoso de não estar fazendo o suficiente, sou apenas eu que durmo e acordo de olhos inchados e salgados.
Por que vejo as outras pessoas tão desencanadas com a vida e são elas que são idolotradas? Serei eu muito egocêntrica? E olha que não há nem indícios de um aspecto leonino em meu mapa. Procuro ser eu mesma, mostrar uma personalidade única e, em troca, ganho sim alguns fãs, mas são poucos os que verdadeiramente se interessam. E ainda, muitas vezes, tenho um ou dois fãs que acumulam toda a idolatria que poderia se dissolver entre muitos numa pessoa só. E aí eu não quero, pois só gosto do que não presta.
Mais uma festa própria histórica. E ainda tive a preocupação de que o bolo não desse para todos. Isso por não me lembrar que não tenho essa sorte. Sempre sobra bolo. E é por isso que me dói cada elogio ao meu cabelo, ou secundariamente a qualquer característica física minha. Porque sei que é só isso que eu sou. A menina dos cabelos bonitos. Aí prendo-os e volto a ser invisível.
Sou sim depressiva. Espero sim muito dos outros. Odeio sim essa postagem. Mas pelo menos aqui, um outro aspecto invisível da minha vida, posso parar de simular que sou legal, que sou feliz.
Os que estavam presentes são muito queridos por mim, contudo não sinto a mesma intensidade recíproca de todos. Até mesmo do rapazote, aquele mesmo, que compareceu graças ao telefonema da minha companheira de república. Ok, reconheço que não fui muito feliz ao fazer os convites por e-mail e Orkut.
Ah, eu tô irritada. E triste. Mas vai passar.
Logo mais, à noite, enfrentarei a hipocrisia familiar. Preciso começar a ensaiar sorrisos.
Por que vejo as outras pessoas tão desencanadas com a vida e são elas que são idolotradas? Serei eu muito egocêntrica? E olha que não há nem indícios de um aspecto leonino em meu mapa. Procuro ser eu mesma, mostrar uma personalidade única e, em troca, ganho sim alguns fãs, mas são poucos os que verdadeiramente se interessam. E ainda, muitas vezes, tenho um ou dois fãs que acumulam toda a idolatria que poderia se dissolver entre muitos numa pessoa só. E aí eu não quero, pois só gosto do que não presta.
Mais uma festa própria histórica. E ainda tive a preocupação de que o bolo não desse para todos. Isso por não me lembrar que não tenho essa sorte. Sempre sobra bolo. E é por isso que me dói cada elogio ao meu cabelo, ou secundariamente a qualquer característica física minha. Porque sei que é só isso que eu sou. A menina dos cabelos bonitos. Aí prendo-os e volto a ser invisível.
Sou sim depressiva. Espero sim muito dos outros. Odeio sim essa postagem. Mas pelo menos aqui, um outro aspecto invisível da minha vida, posso parar de simular que sou legal, que sou feliz.
Os que estavam presentes são muito queridos por mim, contudo não sinto a mesma intensidade recíproca de todos. Até mesmo do rapazote, aquele mesmo, que compareceu graças ao telefonema da minha companheira de república. Ok, reconheço que não fui muito feliz ao fazer os convites por e-mail e Orkut.
Ah, eu tô irritada. E triste. Mas vai passar.
Logo mais, à noite, enfrentarei a hipocrisia familiar. Preciso começar a ensaiar sorrisos.
terça-feira, 27 de abril de 2010
segunda-feira, 26 de abril de 2010
quinta-feira, 22 de abril de 2010
Finalmente um pouco de veneno para adoçar minha vida. Meu namorado reapareceu alguns dias depois. Logo na segunda-feira seguinte, fez-me uma visita saudosa em meu quarto, onde eu ansiava por muito dormir, já que passara a noite inteira analisando meus mapas astrológicos relacionados com meu mais recente afeto. Ele estava sim com muita saudade e satisfeitíssimo por me ver. Mas queria contar logo, Marte e Mercúrio não me dão sossego. Queria já saber sua reação e resolver o que tivesse a ser resolvido sem demora.
Contei. Falei dos muitos beijos. Ele dissolveu seu sorriso. Falei da transa. Fechou os olhos por alguns segundos, como que desejando fechar os ouvidos no lugar. Como se fechando os olhos, aquela realidade deixasse de existir. Não conseguia dizer nada a respeito, apenas quis ir embora depressa. Precisava pensar. Não tive escolha a não ser voltar a dormir.
À noite passou em casa para conversarmos. Parecia já bem melhor, de certa forma conformado pelo já muito antes esperado. Mas enquanto conversávamos, mudava de idéia constantemente, ora queria terminar tudo, ora dizia que me amava demais. No dia seguinte a mesma coisa, mas regado a muitas lágrimas de ambos. Nada resolvido ao final do dia. A decisão ficara em minhas mãos, mas até agora nada.
Tenho pensado e afirmado todos os dias, inclusive para minhas colegas de república, que vou terminar com ele. E todos os dias elas me vêem aos beijos e carinhos com ele. Já estou ficando sem palavra. Hoje mesmo, Mercúrio e Marte impulsionaram-me a terminar logo com tudo isso. Mas era tão grande o sono, que não conseguia nem abrir os olhos pra terminar com ele. Preferi entregar-me aos abraços deitada no sofá e deixar esse término para amanhã, quando eu supostamente estiver mais preparada fisicamente pra isso.
Agora, por que tanto sono? Ora, mais um noite memorável! Era só pular o muro e voilá!, bem-vinda ao inferno de Dante! Claro que tinha más intenções, claro que não chamei meu namorado pra ir à festa. Mas nunca vou com intenções bacantes, elas é que se apossam de mim.
A oportunidade no bar da festa. Os maravilhosos olhos verdes me acompanharam. Pelo amor de Deus, encha de cachaça essa caneca com bebida ridícula! Uma criança de dois anos beberia isso aqui! Agora sim, digno de Hiha! Mas a paciência de esperar uma iniciativa me matava. Não podia perder a chance. E finalmente, sendo fiel ao que verdadeiramente sou, arranquei-lhe um delicioso beijo.
E não demorou a Baco agir sobre mim. Ainda que provavelmente indignado pela minha traição com a cachaça. Mesmo assim, faço jus a seus desígnios. Incapaz de contar quantas bocas passaram por mim. E a proporção homens e mulheres deve ter chegado à metade.
Ainda tentei um repeat completo com quem mais me interessava, mas não tive sucesso. Seja pela consideração à sua namorada, seja por um detalhe ariano à nossa relação, seja pelo simples fato de que teria que acordar cedo no dia seguinte. A mensagem está dada.
Mas acredite, de tantas qualidades que encontro nesse rapazote, o que mais me surpreende é o espetacular fetiche que me realiza. Imagine que ele e seus companheiros de república, e ademais também os amigos da faculdade, entregam-se aos maiores dos inusitados beijos. E digo Beijos, com B maiúsculo.
Dessa vez, pelo simples fato de não ter havido sexo, houve menos tensão. De qualquer maneira, novamente cogitou o término, que, como eu disse, era atividade discursiva demais para uma pessoa recém embriagada.
Diferente de mim, alguém passou uma noite em meio a novos lençóis. O quarto estava vazio quando cheguei.
Enquanto isso, Hiha toca sua vida insana.
Contei. Falei dos muitos beijos. Ele dissolveu seu sorriso. Falei da transa. Fechou os olhos por alguns segundos, como que desejando fechar os ouvidos no lugar. Como se fechando os olhos, aquela realidade deixasse de existir. Não conseguia dizer nada a respeito, apenas quis ir embora depressa. Precisava pensar. Não tive escolha a não ser voltar a dormir.
À noite passou em casa para conversarmos. Parecia já bem melhor, de certa forma conformado pelo já muito antes esperado. Mas enquanto conversávamos, mudava de idéia constantemente, ora queria terminar tudo, ora dizia que me amava demais. No dia seguinte a mesma coisa, mas regado a muitas lágrimas de ambos. Nada resolvido ao final do dia. A decisão ficara em minhas mãos, mas até agora nada.
Tenho pensado e afirmado todos os dias, inclusive para minhas colegas de república, que vou terminar com ele. E todos os dias elas me vêem aos beijos e carinhos com ele. Já estou ficando sem palavra. Hoje mesmo, Mercúrio e Marte impulsionaram-me a terminar logo com tudo isso. Mas era tão grande o sono, que não conseguia nem abrir os olhos pra terminar com ele. Preferi entregar-me aos abraços deitada no sofá e deixar esse término para amanhã, quando eu supostamente estiver mais preparada fisicamente pra isso.
Agora, por que tanto sono? Ora, mais um noite memorável! Era só pular o muro e voilá!, bem-vinda ao inferno de Dante! Claro que tinha más intenções, claro que não chamei meu namorado pra ir à festa. Mas nunca vou com intenções bacantes, elas é que se apossam de mim.
A oportunidade no bar da festa. Os maravilhosos olhos verdes me acompanharam. Pelo amor de Deus, encha de cachaça essa caneca com bebida ridícula! Uma criança de dois anos beberia isso aqui! Agora sim, digno de Hiha! Mas a paciência de esperar uma iniciativa me matava. Não podia perder a chance. E finalmente, sendo fiel ao que verdadeiramente sou, arranquei-lhe um delicioso beijo.
E não demorou a Baco agir sobre mim. Ainda que provavelmente indignado pela minha traição com a cachaça. Mesmo assim, faço jus a seus desígnios. Incapaz de contar quantas bocas passaram por mim. E a proporção homens e mulheres deve ter chegado à metade.
Ainda tentei um repeat completo com quem mais me interessava, mas não tive sucesso. Seja pela consideração à sua namorada, seja por um detalhe ariano à nossa relação, seja pelo simples fato de que teria que acordar cedo no dia seguinte. A mensagem está dada.
Mas acredite, de tantas qualidades que encontro nesse rapazote, o que mais me surpreende é o espetacular fetiche que me realiza. Imagine que ele e seus companheiros de república, e ademais também os amigos da faculdade, entregam-se aos maiores dos inusitados beijos. E digo Beijos, com B maiúsculo.
Dessa vez, pelo simples fato de não ter havido sexo, houve menos tensão. De qualquer maneira, novamente cogitou o término, que, como eu disse, era atividade discursiva demais para uma pessoa recém embriagada.
Diferente de mim, alguém passou uma noite em meio a novos lençóis. O quarto estava vazio quando cheguei.
Enquanto isso, Hiha toca sua vida insana.
sexta-feira, 9 de abril de 2010
Depressão absoluta. Em primeiro lugar, tenho um enorme problema pra lidar com sentimentos. Não sei ser equilibrada, ou eu choro sem ter ligação nenhuma com o ocorrido, ou faço uma piada estúpida pra descontrair o ambiente (nas piores situações!). Uma morte importante na família do meu namorado e um comentário escroto meu. Mando à noite um e-mail pedindo desculpas, isso na quarta. Ontem uma mensagem no celular. Hoje caixa postal no celular. Todas as páginas da internet desatualizadas, salvo por uma última mensagem no Twitter lamentando o ocorrido na família, onde restam agora aqueles menos dignos de consideração. Devo me preocupar? Pergunte ao meu ascendente.
Na mesma quarta, a festa histórica. Porque quem não sabe lidar com sentimentos não consegue pensar nas conseqüências, para o outro, de usufruir de uma grande liberdade. Começou com um beijo. Um conhecido atraente já previamente alvo. Seguido de um beijo lésbico lúdico. Troca de casais. Beijo a três, a quatro. Outra mulher (quem é você?), e as trocas masculinas homossexuais fetiches. Diversão à parte, eu, na verdade, tinha apenas um alvo. Atraente, com referências, e poderia me satisfazer sem as prováveis e desagradáveis conseqüências, telefonemas, do dia seguinte. Perfeito para meu Marte.
E nele foquei ao fim da noite, com a recíproca dele, que havia dado os primeiros passos tácteis. Uma relação de muito Touro, não podia nunca se passificar diante das influências capricornianas. Os loucos beijos que se tornavam ternos. O calor de corpos se cumprimentando pela primeira vez. E aí sim, Touro permitiu a Capricórnio reinar, mas apenas para matar sua vontade; Touro não se demoraria a tomar seu digno posto.
Vestuário moderno que destrói o reinado yangiano de Marte. Do carro pensamos em um colchão. Uma sala desordenadamente aconchegante, mas com direito a "cobertinha chique". Um belo corpo que ia se despindo e mostrando os mais lindos músculos, que se aconchegavam sobre meu corpo satisfeito.
Como desejei ter mais de duas mãos para acarinhar aquela pele deliciosamente macia, que muito por mim foi elogiada. Uma pausa para um importante detalhe desse encontro: os beijos. Das relações casuais que tive, mesmo as que pretendiam ser mais envolventes, nenhuma foi palco de número tão incalculável de beijos não calorosos em si, mas cheios de ternura, aquele estalinho gostoso e quentinho no rosto, pescoço, ao pé do ouvido, seios, barriga... O estalinho com som de amor. Digno do título de "namoro de uma noite só". De repente, surpresa, mais um beijinho gostoso que se mostrava...
O Sol que se apressava em revelar aos poucos a silhueta dos movimentos dos nossos corpos, que brincavam embebidos da adrenalina de serem revelados não apenas por ele. E enfim, a energia taurina reinava, e com orgulho...!
A adrenalina festiva em meu corpo que não me permitia dormir em paz. Cochilos que eram interrompidos pela minha curiosidade em observar aquela sala, rodeada de livros. Marx, Hegel. De quando em vez, Newton. Uma guitarra de pé sobre suporte. Jornais por todos os cantos. E atrás, uma lousinha com problemas filosófico-chapado-matemáticos por resolver. Um riso abafado. As canções dos mais variados pássaros, que despertavam para um novo amanhecer. E a luz do dia que invadia nossas almas, revelando os mais belos olhos verdes, que se abriam lentamente, trazendo junto um sorriso e leves carícias.
Maravilhoso momento de ternura, que permitia a inocência de nossos corpos darem fruto a uma energia única. E o dia que começava... Até que, flagra! Um estranho que abria a porta. Produto da inconseqüência de recém-amantes-amados, que se encolhiam, abafando o riso que não se contia. Mas ainda nada comparado ao flagra mor, digno de posteriores risadas minhas.
-- Vou no banheiro.
E eis que, com a calça na mão, apenas coincidentemente cobrindo o óbvio, e eu, de colo desnudo, apenas encobrindo o também óbvio com o edredom, ouvimos o barulho da porta, que se abria novamente, através da qual surgia, ironicamente, com toda a inocência e surpresa e arrependimento imediato, o mais recente rolo da minha companheira de quarto, usando um cachecol inadequadamente formal para aquela manhã e também restante da vestimenta, e que, pra não simplesmente se fazer de constrangido, ainda solta um "bom dia", que é naturalmente respondido pelo colega, e ainda completado com "como você tá chique!". Depois dessa, nada lhe restou a não ser continuar dissimulando seu mais-do-que-constrangimento, dar uma meia volta, assim como quem SÓ passou ali pra dar bom dia mesmo e voltar para dentro daquele cômodo, de onde ele desejou nunca ter saído naquele momento inoportuno. Quanto a mim ou a nós, rimos! Haha!!
Alguns outros flagras mais tarde (aquilo estava fadado a nunca ser um segredo), beijos com muito carinho, gemidos calorosos, cochilos. O vento forte e possivelmente gélido contorcendo as árvores vistas pela janela, que desestimulava a já pouco existente vontade de sair dali. E o convite para permanecer.
Uma enorme falha: não havia levado meu celular. A completa incerteza do horário, a insegurança da não comunicação com o mundo e consciência de uma importante aula me fizeram privar-me de um dos mais memoráveis momentos da minha vida.
A certeza: "Adorei a sua companhia aqui". A promessa: "Qualquer dia levo um filminho na sua casa pra gente assistir". E a dor no peito da consciência da existência de outros dois elementos impossíveis de serem ignorados, meu namorado e a namorada dele. Pra ele, nada que já não seja comum, para um relacionamento aberto de muito tempo. Já pra mim, a incerteza. Até que para um suposto relacionamento aberto, nada mal beijar vários homens, mulheres e dormir abraçada e nua a um deles, tudo numa noite só.
De quase completo estranho a aventura ao final do dia. De aventura a mais um homem que me arrancará lágrimas. É quase irônica a mudança de visão com relação a ele, é da água para o vinho. Nunca imaginei, desde a primeira menção a seu nome, desde a primeira vista pelo Orkut, e menos ainda depois de pessoalmente, quando manifestei meu quase total desinteresse, mudado apenas muito recentemente, e mesmo assim, apenas pela conquista em si.
Saldo pessoal? Apaixonada.
Quero morrer.
Na mesma quarta, a festa histórica. Porque quem não sabe lidar com sentimentos não consegue pensar nas conseqüências, para o outro, de usufruir de uma grande liberdade. Começou com um beijo. Um conhecido atraente já previamente alvo. Seguido de um beijo lésbico lúdico. Troca de casais. Beijo a três, a quatro. Outra mulher (quem é você?), e as trocas masculinas homossexuais fetiches. Diversão à parte, eu, na verdade, tinha apenas um alvo. Atraente, com referências, e poderia me satisfazer sem as prováveis e desagradáveis conseqüências, telefonemas, do dia seguinte. Perfeito para meu Marte.
E nele foquei ao fim da noite, com a recíproca dele, que havia dado os primeiros passos tácteis. Uma relação de muito Touro, não podia nunca se passificar diante das influências capricornianas. Os loucos beijos que se tornavam ternos. O calor de corpos se cumprimentando pela primeira vez. E aí sim, Touro permitiu a Capricórnio reinar, mas apenas para matar sua vontade; Touro não se demoraria a tomar seu digno posto.
Vestuário moderno que destrói o reinado yangiano de Marte. Do carro pensamos em um colchão. Uma sala desordenadamente aconchegante, mas com direito a "cobertinha chique". Um belo corpo que ia se despindo e mostrando os mais lindos músculos, que se aconchegavam sobre meu corpo satisfeito.
Como desejei ter mais de duas mãos para acarinhar aquela pele deliciosamente macia, que muito por mim foi elogiada. Uma pausa para um importante detalhe desse encontro: os beijos. Das relações casuais que tive, mesmo as que pretendiam ser mais envolventes, nenhuma foi palco de número tão incalculável de beijos não calorosos em si, mas cheios de ternura, aquele estalinho gostoso e quentinho no rosto, pescoço, ao pé do ouvido, seios, barriga... O estalinho com som de amor. Digno do título de "namoro de uma noite só". De repente, surpresa, mais um beijinho gostoso que se mostrava...
O Sol que se apressava em revelar aos poucos a silhueta dos movimentos dos nossos corpos, que brincavam embebidos da adrenalina de serem revelados não apenas por ele. E enfim, a energia taurina reinava, e com orgulho...!
A adrenalina festiva em meu corpo que não me permitia dormir em paz. Cochilos que eram interrompidos pela minha curiosidade em observar aquela sala, rodeada de livros. Marx, Hegel. De quando em vez, Newton. Uma guitarra de pé sobre suporte. Jornais por todos os cantos. E atrás, uma lousinha com problemas filosófico-chapado-matemáticos por resolver. Um riso abafado. As canções dos mais variados pássaros, que despertavam para um novo amanhecer. E a luz do dia que invadia nossas almas, revelando os mais belos olhos verdes, que se abriam lentamente, trazendo junto um sorriso e leves carícias.
Maravilhoso momento de ternura, que permitia a inocência de nossos corpos darem fruto a uma energia única. E o dia que começava... Até que, flagra! Um estranho que abria a porta. Produto da inconseqüência de recém-amantes-amados, que se encolhiam, abafando o riso que não se contia. Mas ainda nada comparado ao flagra mor, digno de posteriores risadas minhas.
-- Vou no banheiro.
E eis que, com a calça na mão, apenas coincidentemente cobrindo o óbvio, e eu, de colo desnudo, apenas encobrindo o também óbvio com o edredom, ouvimos o barulho da porta, que se abria novamente, através da qual surgia, ironicamente, com toda a inocência e surpresa e arrependimento imediato, o mais recente rolo da minha companheira de quarto, usando um cachecol inadequadamente formal para aquela manhã e também restante da vestimenta, e que, pra não simplesmente se fazer de constrangido, ainda solta um "bom dia", que é naturalmente respondido pelo colega, e ainda completado com "como você tá chique!". Depois dessa, nada lhe restou a não ser continuar dissimulando seu mais-do-que-constrangimento, dar uma meia volta, assim como quem SÓ passou ali pra dar bom dia mesmo e voltar para dentro daquele cômodo, de onde ele desejou nunca ter saído naquele momento inoportuno. Quanto a mim ou a nós, rimos! Haha!!
Alguns outros flagras mais tarde (aquilo estava fadado a nunca ser um segredo), beijos com muito carinho, gemidos calorosos, cochilos. O vento forte e possivelmente gélido contorcendo as árvores vistas pela janela, que desestimulava a já pouco existente vontade de sair dali. E o convite para permanecer.
Uma enorme falha: não havia levado meu celular. A completa incerteza do horário, a insegurança da não comunicação com o mundo e consciência de uma importante aula me fizeram privar-me de um dos mais memoráveis momentos da minha vida.
A certeza: "Adorei a sua companhia aqui". A promessa: "Qualquer dia levo um filminho na sua casa pra gente assistir". E a dor no peito da consciência da existência de outros dois elementos impossíveis de serem ignorados, meu namorado e a namorada dele. Pra ele, nada que já não seja comum, para um relacionamento aberto de muito tempo. Já pra mim, a incerteza. Até que para um suposto relacionamento aberto, nada mal beijar vários homens, mulheres e dormir abraçada e nua a um deles, tudo numa noite só.
De quase completo estranho a aventura ao final do dia. De aventura a mais um homem que me arrancará lágrimas. É quase irônica a mudança de visão com relação a ele, é da água para o vinho. Nunca imaginei, desde a primeira menção a seu nome, desde a primeira vista pelo Orkut, e menos ainda depois de pessoalmente, quando manifestei meu quase total desinteresse, mudado apenas muito recentemente, e mesmo assim, apenas pela conquista em si.
Saldo pessoal? Apaixonada.
Quero morrer.
quinta-feira, 8 de abril de 2010
sexta-feira, 26 de março de 2010
Tenho agora outra vida. !!!!!!!!!! Dei um grande passo para a minha liberdade (vida de adulta?): saí de casa. A incrível transformação da minha mãe. Nas últimas duas semanas tem me tratado como já nem me lembrava ser tratada. Resta-lhe apenas a preocupação de mãe, "Está comendo bem?", "Estou lhe achando muito magrinha!" ("Claro", mãe...), mas já não se revolta. Estamos tão bem que até tenho saudade de casa e vontade de conversar! Atingimos um maravilhoso equilíbrio, creio.
Fiz o primeiro ovo da minha vida há umas três semanas. Ah, nada de mais. Era apenas preguiça. Mas tudo que vem com manual de instruções ajuda. Contudo, a boa vida sempre vem acompanhada de responsabilidades. Ou pego o restaurante da faculdade aberto, ou tenho que me virar depois. Se não lavo minha roupa, é somente roupa suja que terei. Lave esse banheiro, pra não sentir nojo de usá-lo mais tarde. E é gostoso, confesso. Confesso também que estarei odiando não muito em breve, mas ainda assim, agora, adoro. Há toda uma conquista por trás de cada passada de pano no chão.
Mas, e a vida acadêmica, Deus? Monografia! Lembrar-me que preciso disso pra me formar! Hoje até que finalmente acordei bem. Ultimamente tenho até me preocupado com a minha falta de energia. Despendi muita nessa brincadeira. O físico já está pelo mesmo caminho que o espiritual. Muitas providências a se tomar.
A liberdade não se limita às horas que posso acordar e dormir. Tenho a liberdade de amar! E, ironicamente, é essa mesma liberdade que me faz querê-lo ao meu lado, tanto que nem fiz proveito desse meu amor aquariano... As oportunidades bem que vieram, mas quando já não é mais proibido, bem que se torna um pouco tolo. E quem liga? É a sensação de encher os grandes pulmões de ar que me fascina! As conseqüências são apenas elas.
Fiz o primeiro ovo da minha vida há umas três semanas. Ah, nada de mais. Era apenas preguiça. Mas tudo que vem com manual de instruções ajuda. Contudo, a boa vida sempre vem acompanhada de responsabilidades. Ou pego o restaurante da faculdade aberto, ou tenho que me virar depois. Se não lavo minha roupa, é somente roupa suja que terei. Lave esse banheiro, pra não sentir nojo de usá-lo mais tarde. E é gostoso, confesso. Confesso também que estarei odiando não muito em breve, mas ainda assim, agora, adoro. Há toda uma conquista por trás de cada passada de pano no chão.
Mas, e a vida acadêmica, Deus? Monografia! Lembrar-me que preciso disso pra me formar! Hoje até que finalmente acordei bem. Ultimamente tenho até me preocupado com a minha falta de energia. Despendi muita nessa brincadeira. O físico já está pelo mesmo caminho que o espiritual. Muitas providências a se tomar.
A liberdade não se limita às horas que posso acordar e dormir. Tenho a liberdade de amar! E, ironicamente, é essa mesma liberdade que me faz querê-lo ao meu lado, tanto que nem fiz proveito desse meu amor aquariano... As oportunidades bem que vieram, mas quando já não é mais proibido, bem que se torna um pouco tolo. E quem liga? É a sensação de encher os grandes pulmões de ar que me fascina! As conseqüências são apenas elas.
terça-feira, 2 de fevereiro de 2010
Mas quanto açúcar no final daquele mesmo dia! Mensagens de celular não bem entregues, tempestade ameaçando, muitas supostas festas, crédito findando, corre para o computador, problemas com a internet, energia cai, “Vai ao supermercado?”, “Não” (Droga, preciso de condicionador!), uma decisão rápida! Telefone, telefone...! Banho-mais-que-ligeiro, mentirinha, ônibus.
A pequena grande distância compensada por beijos e fortes abraços. Um pouco de conversa fora do quarto – desabafo. Enquanto tomava seu banho, eu tagarelando até pausar para uma espiadinha no chuveiro. E como era sexy! Tanto achei que era de propósito, fiquei quieta. Até o susto: “Você estava aí?!!”. Risadas.
Mais tarde, dominados pela fome, me perdi em teses de relacionamentos, com direito a meus incríveis exemplos com Lego, bolo, matemática. Um dos meus momentos preferidos. Eu ali, monologando loucamente sentada à mesa e ele me olhando docemente, com seu famigerado sorriso de interesse e encanto pela minha voz ecoando pela cozinha, embebida de constantes auto-risadas, e que não ousava interromper nem para um breve comentário. Ouvia silenciosamente curioso. E tanto me embriaguei em meus delírios que só fui perceber que não queria mais bolo quando ele já estava pronto. Sorrindo o mais doce e sincero dos sorrisos: “Quer macarrão?”, não ousando interromper mais do que isso, apenas, e ainda assim com tanta delicadeza, para sondar minhas preferências, “Bem cozido ou mais durinho?”... O estranhamento causado pela silenciosa ausência de minha voz. “Fala alguma coisa você agora!” (não é de se permanecer calado após ouvir sua namorada falar de (in)fidelidade, e assim, com toda essa intrigante abertura e sinceridade que consigo ter com ele), mas foi preciso insistir para ouvir algumas vagas palavras, que concordavam apenas em parte com as minhas, embora também não quisessem disputá-las.
Comemos juntos, nos posicionados à mesa da mesma forma como sempre fizemos desde a primeira vez, desde o primeiro macarrão. Olhares profundos, mãos se acariciando, risadas e mais blablablá. “Tem suco?”. Sempre podendo abusar, abuso. Um pequeno furto na geladeira (“Amanhã vamos ao supermercado!”), diversões à parte, aquelas bobas que fazem os que amam rirem horrores. Suco aguado, ugh!
Depois fomos pra sala, nem um pouco menos interessante, mas meu segundo momento preferido da noite. Lá, à luz apenas da tv e de uma lâmpada no corredor, fomos nos despindo lentamente até nos entregarmos ao mais denso momento de prazer, daqueles de perder o chão, o fôlego. Ali permanecemos semidespidos, curtindo o momento, conversando, as pontas dos dedos relaxados acariciando meu rosto, meus cabelos, meus seios, minha barriga, minhas pernas, “meus pezinhos”...
Então, uma última parada na madrugada para comer o bolo, aquele mesmo, com suco, e irmos pra cama, nos entregar nos braços um do outro.
De lá só saímos muitas horas depois, após um maravilhoso descanso, muitas carícias, conversas, paixão, até sermos vencidos novamente pela fome. Um banho juntos e já era hora de dizer adeus, ou melhor, até amanhã.
O melhor final-de-semana ever antes de eu voltar à triste realidade dos meus conflitos...
A pequena grande distância compensada por beijos e fortes abraços. Um pouco de conversa fora do quarto – desabafo. Enquanto tomava seu banho, eu tagarelando até pausar para uma espiadinha no chuveiro. E como era sexy! Tanto achei que era de propósito, fiquei quieta. Até o susto: “Você estava aí?!!”. Risadas.
Mais tarde, dominados pela fome, me perdi em teses de relacionamentos, com direito a meus incríveis exemplos com Lego, bolo, matemática. Um dos meus momentos preferidos. Eu ali, monologando loucamente sentada à mesa e ele me olhando docemente, com seu famigerado sorriso de interesse e encanto pela minha voz ecoando pela cozinha, embebida de constantes auto-risadas, e que não ousava interromper nem para um breve comentário. Ouvia silenciosamente curioso. E tanto me embriaguei em meus delírios que só fui perceber que não queria mais bolo quando ele já estava pronto. Sorrindo o mais doce e sincero dos sorrisos: “Quer macarrão?”, não ousando interromper mais do que isso, apenas, e ainda assim com tanta delicadeza, para sondar minhas preferências, “Bem cozido ou mais durinho?”... O estranhamento causado pela silenciosa ausência de minha voz. “Fala alguma coisa você agora!” (não é de se permanecer calado após ouvir sua namorada falar de (in)fidelidade, e assim, com toda essa intrigante abertura e sinceridade que consigo ter com ele), mas foi preciso insistir para ouvir algumas vagas palavras, que concordavam apenas em parte com as minhas, embora também não quisessem disputá-las.
Comemos juntos, nos posicionados à mesa da mesma forma como sempre fizemos desde a primeira vez, desde o primeiro macarrão. Olhares profundos, mãos se acariciando, risadas e mais blablablá. “Tem suco?”. Sempre podendo abusar, abuso. Um pequeno furto na geladeira (“Amanhã vamos ao supermercado!”), diversões à parte, aquelas bobas que fazem os que amam rirem horrores. Suco aguado, ugh!
Depois fomos pra sala, nem um pouco menos interessante, mas meu segundo momento preferido da noite. Lá, à luz apenas da tv e de uma lâmpada no corredor, fomos nos despindo lentamente até nos entregarmos ao mais denso momento de prazer, daqueles de perder o chão, o fôlego. Ali permanecemos semidespidos, curtindo o momento, conversando, as pontas dos dedos relaxados acariciando meu rosto, meus cabelos, meus seios, minha barriga, minhas pernas, “meus pezinhos”...
Então, uma última parada na madrugada para comer o bolo, aquele mesmo, com suco, e irmos pra cama, nos entregar nos braços um do outro.
De lá só saímos muitas horas depois, após um maravilhoso descanso, muitas carícias, conversas, paixão, até sermos vencidos novamente pela fome. Um banho juntos e já era hora de dizer adeus, ou melhor, até amanhã.
O melhor final-de-semana ever antes de eu voltar à triste realidade dos meus conflitos...
domingo, 10 de janeiro de 2010
Está tudo dando tão certo na minha vida que chega a dar medo. Recebi uma bolsa da universidade, a mesma que não tinha sido aprovada pra mim mês passado, mas que, por insistência da minha orientadora, fui aprovada no processo de seleção. Era necessário mais bolsistas para a área em que vou atuar. O recebimento desta bolsa faz com que tudo tenha dado ainda mais certo com relação à minha retirada do ninho. Embora o valor do aluguel previamente proposto tenha subido em decorrência de reajustes de início de ano, ainda está dentro do que acredito poder arcar. E já tinha dito antes: o lugar é ótimo, as pessoas são maravilhosas e consegui uma ótima companheira de quarto. Mesmo assim, essa bolsa que eu recebi é apenas uma garantia, porque na verdade vou tentar uma Iniciação Científica que, segundo o meu orientador, tem tudo para dar certo.
Além disso, aquilo que eu mais temia, um novo relacionamento, aconteceu. Mas desta vez não estou com medo, talvez até porque esteja loucamente apaixonada, mas se o estou, é porque ele atende a tudo aquilo que eu sempre esperei de um homem. Finalmente alguém que confia em mim verdadeiramente. O que me acontecia antes era que tudo de estranho que eu falava, se eu não apresentasse as fontes, e confiáveis, virava motivo de chacota ou no mínimo recebia um olhar torto. Mas desta vez não. Mais ainda do que obter confiança, eu também sou aceita como sou. Aliás, melhor do que isso, sou tão amada do jeito que sou, que ele morre de medo que eu mude alguma coisa em favor dele, ou seja, mesmo que eu queira mudar, tenho total liberdade pra isso, e ainda serei aplaudida por ter a coragem de querer experimentar um novo eu e também surpreendê-lo mais a cada dia. E claro que não poderia deixar de mencionar o quanto eu sou verdadeiramente desejada como mulher. Agora sim estou realizando a, tão almejada pra mim, canção “O meu amor”, do encantador Chico Buarque.
Até meu celular, esse artefato milenar que eu carrego, voltou de mais uma crise! Viva!
Contudo... existe somente uma angústia em minha vida. Minha mãe não está nada satisfeita com a minha saída de casa. Não somente pelo fato de sair, mas por não ter participado dos planos para que isso ocorresse, o que obviamente nunca poderia acontecer em virtude do próprio fato de ela nunca querer que eu saísse de casa, que não fosse vestida de branco e com um anel dourado no dedo. Simplesmente impossível. E mais impossível ainda é conversar com ela, que não me aceita nem na unha do dedinho do pé. Porque eu nasci sob uma resposabilidade muito grande, a de salvar a vida dela, que tendia ao barranco. Só que eu nunca soube assumir esse posto, sempre fui distante e calada, e um tanto quanto egoísta. Mas ela acredita que isso seja uma postura com relação a ela, e não fruto da minha personalidade. Pensa que eu não a amo e não confio nela. E é aí que as coisas se enroscam. Primeiro porque eu não amo ninguém pelo simples posto que ele ocupa na minha vida. Eu procuro sim amar as pessoas – porque ainda não alcancei como mestre esse título xamânico --, mas não o faço gratuitamente só por carregarem a mesma carga genética que eu. A vida, pra mim, é um composto de peças teatrais, em cada encarnação você assume um papel, e nesta peça ela é minha mãe. Em outra peça podemos até mesmo inverter os papéis. E aí dói nela saber que a amo tanto quanto amo qualquer outro ser que amo no Universo, seja ele um amigo da faculdade ou um cachorro. E quanto à confiança, bem, para alguém com mania de perseguição e que já teve seus segredos revelados aos ventos e até mesmo usados contra si mesmo, é realmente difícil se abrir com tanta disposição. Sem contar a enorme divergência de personalidades e pontos de vista, que impossibilitam de vez o bom caminhar de um diálogo saudável.
Então o negócio é se apegar aos orixás e torcer para que em breve ela perceba o quanto essa mudança vai nos fazer bem, e que, longe ou perto dela, não vou deixar de amá-la. Mesmo que eu seja capaz de me esquecer de lhe telefonar de vez em quando.
Além disso, aquilo que eu mais temia, um novo relacionamento, aconteceu. Mas desta vez não estou com medo, talvez até porque esteja loucamente apaixonada, mas se o estou, é porque ele atende a tudo aquilo que eu sempre esperei de um homem. Finalmente alguém que confia em mim verdadeiramente. O que me acontecia antes era que tudo de estranho que eu falava, se eu não apresentasse as fontes, e confiáveis, virava motivo de chacota ou no mínimo recebia um olhar torto. Mas desta vez não. Mais ainda do que obter confiança, eu também sou aceita como sou. Aliás, melhor do que isso, sou tão amada do jeito que sou, que ele morre de medo que eu mude alguma coisa em favor dele, ou seja, mesmo que eu queira mudar, tenho total liberdade pra isso, e ainda serei aplaudida por ter a coragem de querer experimentar um novo eu e também surpreendê-lo mais a cada dia. E claro que não poderia deixar de mencionar o quanto eu sou verdadeiramente desejada como mulher. Agora sim estou realizando a, tão almejada pra mim, canção “O meu amor”, do encantador Chico Buarque.
Até meu celular, esse artefato milenar que eu carrego, voltou de mais uma crise! Viva!
Contudo... existe somente uma angústia em minha vida. Minha mãe não está nada satisfeita com a minha saída de casa. Não somente pelo fato de sair, mas por não ter participado dos planos para que isso ocorresse, o que obviamente nunca poderia acontecer em virtude do próprio fato de ela nunca querer que eu saísse de casa, que não fosse vestida de branco e com um anel dourado no dedo. Simplesmente impossível. E mais impossível ainda é conversar com ela, que não me aceita nem na unha do dedinho do pé. Porque eu nasci sob uma resposabilidade muito grande, a de salvar a vida dela, que tendia ao barranco. Só que eu nunca soube assumir esse posto, sempre fui distante e calada, e um tanto quanto egoísta. Mas ela acredita que isso seja uma postura com relação a ela, e não fruto da minha personalidade. Pensa que eu não a amo e não confio nela. E é aí que as coisas se enroscam. Primeiro porque eu não amo ninguém pelo simples posto que ele ocupa na minha vida. Eu procuro sim amar as pessoas – porque ainda não alcancei como mestre esse título xamânico --, mas não o faço gratuitamente só por carregarem a mesma carga genética que eu. A vida, pra mim, é um composto de peças teatrais, em cada encarnação você assume um papel, e nesta peça ela é minha mãe. Em outra peça podemos até mesmo inverter os papéis. E aí dói nela saber que a amo tanto quanto amo qualquer outro ser que amo no Universo, seja ele um amigo da faculdade ou um cachorro. E quanto à confiança, bem, para alguém com mania de perseguição e que já teve seus segredos revelados aos ventos e até mesmo usados contra si mesmo, é realmente difícil se abrir com tanta disposição. Sem contar a enorme divergência de personalidades e pontos de vista, que impossibilitam de vez o bom caminhar de um diálogo saudável.
Então o negócio é se apegar aos orixás e torcer para que em breve ela perceba o quanto essa mudança vai nos fazer bem, e que, longe ou perto dela, não vou deixar de amá-la. Mesmo que eu seja capaz de me esquecer de lhe telefonar de vez em quando.
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