Essa época de Natal me deprime. Começa no Natal, vai até o Ano Novo e dura mais um pouquinho. Às vezes as férias inteiras. Mas agora, mais do que antigamente, ainda tenho mais um motivo pra me deprimir. Um motivo que eu espero que já no próximo ano tenha se resolvido, mas que este bateu com tudo. Imagine que eu juro ter encontrado o homem da minha vida. Eu sei, a gente acha que encontrou inúmeras vezes durante a vida inteira e ainda é capaz de chegar no fim dela e ainda não encontrar. Mas eu juro, juro que sou incapaz de imaginar alguém que se encaixe tão bem em tudo aquilo que eu sempre imaginei ter ao meu lado pelo resto da vida.
Acontece que esse Vênus -- ah, já nem sei se é mais o Vênus! -- insiste em me causar depressão. Insiste em me fazer pensar naquele que já pessou e naquele inclusive que nunca chegou a ficar. Essa época do ano me deprime porque ele estaria comigo, me falando bobagens, rindo comigo, me dando presentes maravilhosos, enquanto eu, toscos, mas que ele guardava com o mesmo carinho. Estaríamos juntos simplesmente. E é disso que eu tenho falta. Do juntos. Mas é um juntos de carinho, de amizade mesmo, coisa que ele nunca entenderia a essa altura. É, cada um sabe da sua dor. Quem sou pra julgá-lo. Mas acontece que dói tanto sentir essa distância! Não, eu não me arrependo! Tá. Só me arrependo de não ter tido essa amizade no futuro. Quem sabe quando ele se apaixonar novamente?...
Agora o outro... Esse é o Karma, o verdadeiro. Aquele que nunca me deu motivo para amá-lo. Não nesta vida. Mas, coitado, é pior que eu. Nem se apega. Pior do que se apegar a mais de um. Como eu. Está longe, graças aos céus, e que por lá permaneça. Lá, pra lá... Bem longe... Mas por favor, não retire seu orkut do ar.
Agora... Tome juízo, Hiha, você pediu e o Universo mandou...! Meu Deus... Do jeitinho que você pediu... Com tudo o que eu queria, equilibrado. A sensibilidade pra observar cada detalhe meu, cada idiossincrasia, e transformar em um verso que ele inventa ali, na hora, e declama pra mim sussurrando... E depois me agarra, derruba meu corpo onde estiver mais próximo! E me beija, me beija... A boca, o pescoço, as orelhas... Ai... As orelhas...! Depois me olha. Não, não me olha, me come com os olhos. E é só ele perder o juízo, que me faz a mulher mais manhosa de todas... Filho da puta... Ai...
sábado, 26 de dezembro de 2009
sábado, 19 de dezembro de 2009
Novamente chuva. Agora torrencial. Já era noite e fomos pra casa dele. Tomamos um banho quente e minutos depois nos jogamos naquele lençol. Da noite, nem tenho o que gostaria de registrar; a relevância está no dia que se seguiu. Acordamos cedo com uma chamada do meu celular, estrondo suficiente para nos despertar e trocar a continuação do sono por intensas conversas. "Quer ouvir um pouco da história da minha vida?", "Quero.", respondeu, com um claro tom de determinação em sua voz. E desse instante até o momento em que me calei, passei da mulher misteriosa e atraente à menina doce e sonhadora.
Falei de meus relacionamentos anteriores, principalmente do último, o mais relevante. Mas, acima de tudo, contei toda a história daquele que me atormenta a vida, embora tendo feito parte diretamente dela por apenas uma noite. E não escondi meu carinho, minha afeição por ele, nem contudo a verdade de ele sempre mexer comigo até o futuro mais distante que sou capaz de enxergar.
Manteve-se calado até o último minuto. Quando terminei, voltei a olhar em seus olhos. Olhou-me profundamente, ainda refletindo sobre tudo aquilo que havia ouvido. E a primeira palavra que saiu de seus lábios: "Obrigado." Mais um pouco de silêncio. "Agora você faz um pouco mais de sentido." Continuou a me observar, ali sentada sobre seu corpo levemente deitado, vestida em sua camiseta, e de um impulso se ergueu até recostar a testa no espaço entre meu ombro e meu seio. Fechou os olhos e pediu: "Estou com muita vontade de chorar... Posso chorar?". E a cada gota quente que pingava em minha perna, uma camada da espessa casca que se formara em minha alma caía. E junto dela, também lágrimas.
"A gente só conhece o doce quando conhece o salgado", disse ao beijar minha boca com gosto de mar. "É maravilhoso ouvir você contando sua vida, mostrando o caminho que levou você a ser o que é. Acho incrível a sua determinação de jogar tudo pro alto, de arriscar uma nova vida, de se libertar. A intensidade apaixonante com a qual você vive... Você é incrível, menina...". Depois, olhando no fundo dos meus olhos, falou-me tanta coisa, abriu seu coração de uma maneira que a minha emoção não permitiu gravar. Apenas quando terminou, dizendo: "E eu amo a pessoa que você é, eu amo". A frase que me derrubou, que me fez acreditar naquilo que eu também sentia, que me fez respirar fundo, ensaiar os lábios medrosos e, com o rosto dele entre as minhas mãos, tomar fôlego e dizer:
"Eu te amo"...
"Não, não ama", mas foi calado por meus beijos, que se tornaram ao longo violentos, um misto de lágrimas, suor, saliva, minha perna prendendo seu corpo ao meu, junto com meus braços, que eram poucos para tanto abraço, ele apertando o rosto em meu peito, a camiseta molhada de suas lágrimas, seus fortes suspiros concorrendo com as batidas do meu coração e eu, que já não estava mais armada, derrubara todo o meu escudo e era apenas eu, despida de rancor, aberta de sentimentos profundos.
"Se eu não amo, por que nunca consigo me despedir de você? Por que você mexe tanto comigo? Por que você faz eu querer me apegar a você?"... E permitimos a gravidade derrubar nossos corpos, que se despiam ao longo de beijos enlouquecidos de paixão. Nossos lábios tremendo, as sobrancelhas tensas, as palmas das mãos unidas e os dedos presos entrelaçados, e olhares que somente nossos corações seriam capazes de traduzir.
Mais tarde, deitado sobre mim, revelou a minha mais profunda certeza de que pra ele quero abrir as portas da minha vida: "Ainda que esse nosso relacionamento não tenha se declarado um namoro, há poucas coisas que realmente me deixariam chateado: primeiro, se você ficasse com um amigo meu; segundo, se você ficasse com um cara que definitivamente não presta. Porque existem caras que não prestam e caras que definitivamente não prestam. Mas é claro que isso não me impede de sentir ciúmes. Só que eu nunca vou falar que estou com ciúmes. Também preciso te falar que, falando a respeito desse cara que mexe tanto com você, principalmente sobre a dor dele ao perder um filho, mostra que ele é um cara que realmente merece seu carinho...". Os olhos molhados.
Passamos de estranhos corpos se tocando a um homem e uma mulher com seus passados doloridos, dispostos a unir as batidas de seus corações. Ademais, pães de queijo, muitos sorrisos, sabão, carona de bicicleta e a vontade de acabar o mundo.
Onde foi parar o veneno deste blog? Quem se importa...
Falei de meus relacionamentos anteriores, principalmente do último, o mais relevante. Mas, acima de tudo, contei toda a história daquele que me atormenta a vida, embora tendo feito parte diretamente dela por apenas uma noite. E não escondi meu carinho, minha afeição por ele, nem contudo a verdade de ele sempre mexer comigo até o futuro mais distante que sou capaz de enxergar.
Manteve-se calado até o último minuto. Quando terminei, voltei a olhar em seus olhos. Olhou-me profundamente, ainda refletindo sobre tudo aquilo que havia ouvido. E a primeira palavra que saiu de seus lábios: "Obrigado." Mais um pouco de silêncio. "Agora você faz um pouco mais de sentido." Continuou a me observar, ali sentada sobre seu corpo levemente deitado, vestida em sua camiseta, e de um impulso se ergueu até recostar a testa no espaço entre meu ombro e meu seio. Fechou os olhos e pediu: "Estou com muita vontade de chorar... Posso chorar?". E a cada gota quente que pingava em minha perna, uma camada da espessa casca que se formara em minha alma caía. E junto dela, também lágrimas.
"A gente só conhece o doce quando conhece o salgado", disse ao beijar minha boca com gosto de mar. "É maravilhoso ouvir você contando sua vida, mostrando o caminho que levou você a ser o que é. Acho incrível a sua determinação de jogar tudo pro alto, de arriscar uma nova vida, de se libertar. A intensidade apaixonante com a qual você vive... Você é incrível, menina...". Depois, olhando no fundo dos meus olhos, falou-me tanta coisa, abriu seu coração de uma maneira que a minha emoção não permitiu gravar. Apenas quando terminou, dizendo: "E eu amo a pessoa que você é, eu amo". A frase que me derrubou, que me fez acreditar naquilo que eu também sentia, que me fez respirar fundo, ensaiar os lábios medrosos e, com o rosto dele entre as minhas mãos, tomar fôlego e dizer:
"Eu te amo"...
"Não, não ama", mas foi calado por meus beijos, que se tornaram ao longo violentos, um misto de lágrimas, suor, saliva, minha perna prendendo seu corpo ao meu, junto com meus braços, que eram poucos para tanto abraço, ele apertando o rosto em meu peito, a camiseta molhada de suas lágrimas, seus fortes suspiros concorrendo com as batidas do meu coração e eu, que já não estava mais armada, derrubara todo o meu escudo e era apenas eu, despida de rancor, aberta de sentimentos profundos.
"Se eu não amo, por que nunca consigo me despedir de você? Por que você mexe tanto comigo? Por que você faz eu querer me apegar a você?"... E permitimos a gravidade derrubar nossos corpos, que se despiam ao longo de beijos enlouquecidos de paixão. Nossos lábios tremendo, as sobrancelhas tensas, as palmas das mãos unidas e os dedos presos entrelaçados, e olhares que somente nossos corações seriam capazes de traduzir.
Mais tarde, deitado sobre mim, revelou a minha mais profunda certeza de que pra ele quero abrir as portas da minha vida: "Ainda que esse nosso relacionamento não tenha se declarado um namoro, há poucas coisas que realmente me deixariam chateado: primeiro, se você ficasse com um amigo meu; segundo, se você ficasse com um cara que definitivamente não presta. Porque existem caras que não prestam e caras que definitivamente não prestam. Mas é claro que isso não me impede de sentir ciúmes. Só que eu nunca vou falar que estou com ciúmes. Também preciso te falar que, falando a respeito desse cara que mexe tanto com você, principalmente sobre a dor dele ao perder um filho, mostra que ele é um cara que realmente merece seu carinho...". Os olhos molhados.
Passamos de estranhos corpos se tocando a um homem e uma mulher com seus passados doloridos, dispostos a unir as batidas de seus corações. Ademais, pães de queijo, muitos sorrisos, sabão, carona de bicicleta e a vontade de acabar o mundo.
Onde foi parar o veneno deste blog? Quem se importa...
sábado, 12 de dezembro de 2009
Começou com uma tarde chuvosa. Deixamos toda a nossa vida para fora daquele quarto onde nos despimos um pro outro pela primeira vez. Compromissos esquecidos, horários, tudo. Ali só eu e ele. Um elefante. Nunca, nunca fui olhada daquele jeito. Não era só mais um simples olhar de paixão. É escritor, e me olha imaginado poesia, contos... Olha pra mim me imaginando passar creme hidratante nas pernas... Tem até barba de escritor. Aquela barba em que eu enrosquei os dedos e depois deslizei minha mão até aquele peito, puxando os pêlos com um amor violento...
Uma noite com direito a estados alterados de conciência, lágrimas, fotografias, poema... Olhares intermináveis. E até macarrão. Fala fazendo uso de ênclises e só ele faz de um jeito a não parecer irritante.
E aí os astros me dizem no dia seguinte que talvez eu esteja disposta a dar uma nova chance ao amor. E choro enquanto falo com ele no MSN. Estou com medo.
Uma noite com direito a estados alterados de conciência, lágrimas, fotografias, poema... Olhares intermináveis. E até macarrão. Fala fazendo uso de ênclises e só ele faz de um jeito a não parecer irritante.
E aí os astros me dizem no dia seguinte que talvez eu esteja disposta a dar uma nova chance ao amor. E choro enquanto falo com ele no MSN. Estou com medo.
quarta-feira, 9 de dezembro de 2009
E que viagem. Lembrar de não mais viajar com meu pai, desespero total. Já adorei a família e todos me adoraram, posso ir quando eu quiser e sem ele. Apesar de que cada vez mais ele precisa de mim... Porque só eu consegui perceber em minutos aquilo que não está sendo percebido pelas pessoas que o rodeiam. Tentei iniciar uma conversa, mas esses carangueijos são desse jeito. A semente eu já plantei.
Bem longe disso está a minha mente. Ou serão meus hormônios? Ou pior, o coração? Só sei que desde aquela noite tenho ficado maluca. É, eu já estava gostando dele, e bastante, mas não punha fé. Mas a verdade é que me surpreendi. Veio com tudo, como eu gosto. E a cada respiração minha volto a delirar, a desejar ser beijada novamente, a sentir aquela barba macia, aquelas mãos quentes... Mas nada que se compare ao susto de ser derrubada naquela mesa... Ainda posso sentir a língua dele no meu ouvido enquanto agarrava o meu seio... O grande problema está na dimensão do que eu estou sentindo. Até agora há pouco, o medo era de magoá-lo, diferente de agora, quando sou eu que passo a me sentir frágil. Aí vem aquele medo de se entregar e começar tudo de novo...! Só sei que eu quero agarrá-lo e permitir ser derrubada em outra mesa, mas dessa vez de modo a poder permanecer lá até o último gemido se calar.
Bem longe disso está a minha mente. Ou serão meus hormônios? Ou pior, o coração? Só sei que desde aquela noite tenho ficado maluca. É, eu já estava gostando dele, e bastante, mas não punha fé. Mas a verdade é que me surpreendi. Veio com tudo, como eu gosto. E a cada respiração minha volto a delirar, a desejar ser beijada novamente, a sentir aquela barba macia, aquelas mãos quentes... Mas nada que se compare ao susto de ser derrubada naquela mesa... Ainda posso sentir a língua dele no meu ouvido enquanto agarrava o meu seio... O grande problema está na dimensão do que eu estou sentindo. Até agora há pouco, o medo era de magoá-lo, diferente de agora, quando sou eu que passo a me sentir frágil. Aí vem aquele medo de se entregar e começar tudo de novo...! Só sei que eu quero agarrá-lo e permitir ser derrubada em outra mesa, mas dessa vez de modo a poder permanecer lá até o último gemido se calar.
quarta-feira, 2 de dezembro de 2009
Um suspiro profundo acompanhado de milhões de pensamentos. Será que eu começo pelo ódio mortal que eu estou sentindo? Ou finjo que ainda não descobri nada e falo do maravilhoso caminho que a minha vida está tomando? Ou deixo pra depois e desabafo a angústia que senti por esses dias, e que não tem nada a ver com o meu ódio de então? É tanta coisa, tanta coisa, e tudo acontecendo ao mesmo tempo... Ódio, amor, paixão, gratidão, euforia, saudade, surpresa, morte. Não choro mais em despedidas. Consegui. Me tornei uma casca grossa e agora me identifico com os demais. Eu preciso me apaixonar por ela, desejá-la até o último fio de cabelo. E são naqueles metros quadrados que eu vou transbordar a minha energia. Vou encher de sonhos e animais. Muitas penas. Dói quando eu lembro. Aquele abraço me faz falta. Não, eu não quero! Meu tambor vai tocar tão alto, até que ele grite de desespero tampando os ouvidos. E na tribo eu vou chorar, chorar e chorar, pisando aquela areia em que nos ajoelhamos. Não quero cama. Quero dormir no chão. Lá mesmo vou levar aquela maldita até sufocá-la de amor. Nunca mais vai pensar nele. Me mostra o que você sabe... Ninguém aqui ainda sabe de nada. Só vai saber quando eu disser adeus. Vou cravar minhas unhas naquelas costas morenas, como fiz no dia do nosso casamento. Não soube dar valor a uma índia. Cumprimenta de longe, estou esperando. Tem gente que se contenta. Eu não. Não consegui ser verdadeira, ainda estava recente. Ainda estava montando o altar pros meus ancestrais. Estava morrendo... E ri tanto, como se tivesse tomado mais um quarto. Esses meninos não sabem com quem estão se metendo. A pequena já se arrumou com aquela outra. Mas logo ele vai saber que eu sou apenas uma brincadeira de mal gosto, que finge que chora. Não, lindo, eu não te esqueci. É tudo culpa desse Vênus. Desculpa. Como eu já me diverti nessa nova casa que irei! Que saudade desse futuro! Tá bom, vou fingir que sou um crápula e ler e escrever até esse trabalho sair pronto. Senão, como é que vai ser? Não tenho mais a sua ajuda! Me fala, podemos ficar só no sexo? Não, tenho medo, menina, estou me esforçando... Passou aqui de novo. Assim, tão rápido que eu nem acordei. Vou voltar a dormir... com ela. Maldita, me deixa te amar...
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