quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Um suspiro profundo acompanhado de milhões de pensamentos. Será que eu começo pelo ódio mortal que eu estou sentindo? Ou finjo que ainda não descobri nada e falo do maravilhoso caminho que a minha vida está tomando? Ou deixo pra depois e desabafo a angústia que senti por esses dias, e que não tem nada a ver com o meu ódio de então? É tanta coisa, tanta coisa, e tudo acontecendo ao mesmo tempo... Ódio, amor, paixão, gratidão, euforia, saudade, surpresa, morte. Não choro mais em despedidas. Consegui. Me tornei uma casca grossa e agora me identifico com os demais. Eu preciso me apaixonar por ela, desejá-la até o último fio de cabelo. E são naqueles metros quadrados que eu vou transbordar a minha energia. Vou encher de sonhos e animais. Muitas penas. Dói quando eu lembro. Aquele abraço me faz falta. Não, eu não quero! Meu tambor vai tocar tão alto, até que ele grite de desespero tampando os ouvidos. E na tribo eu vou chorar, chorar e chorar, pisando aquela areia em que nos ajoelhamos. Não quero cama. Quero dormir no chão. Lá mesmo vou levar aquela maldita até sufocá-la de amor. Nunca mais vai pensar nele. Me mostra o que você sabe... Ninguém aqui ainda sabe de nada. Só vai saber quando eu disser adeus. Vou cravar minhas unhas naquelas costas morenas, como fiz no dia do nosso casamento. Não soube dar valor a uma índia. Cumprimenta de longe, estou esperando. Tem gente que se contenta. Eu não. Não consegui ser verdadeira, ainda estava recente. Ainda estava montando o altar pros meus ancestrais. Estava morrendo... E ri tanto, como se tivesse tomado mais um quarto. Esses meninos não sabem com quem estão se metendo. A pequena já se arrumou com aquela outra. Mas logo ele vai saber que eu sou apenas uma brincadeira de mal gosto, que finge que chora. Não, lindo, eu não te esqueci. É tudo culpa desse Vênus. Desculpa. Como eu já me diverti nessa nova casa que irei! Que saudade desse futuro! Tá bom, vou fingir que sou um crápula e ler e escrever até esse trabalho sair pronto. Senão, como é que vai ser? Não tenho mais a sua ajuda! Me fala, podemos ficar só no sexo? Não, tenho medo, menina, estou me esforçando... Passou aqui de novo. Assim, tão rápido que eu nem acordei. Vou voltar a dormir... com ela. Maldita, me deixa te amar...

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