Depressão absoluta. Em primeiro lugar, tenho um enorme problema pra lidar com sentimentos. Não sei ser equilibrada, ou eu choro sem ter ligação nenhuma com o ocorrido, ou faço uma piada estúpida pra descontrair o ambiente (nas piores situações!). Uma morte importante na família do meu namorado e um comentário escroto meu. Mando à noite um e-mail pedindo desculpas, isso na quarta. Ontem uma mensagem no celular. Hoje caixa postal no celular. Todas as páginas da internet desatualizadas, salvo por uma última mensagem no Twitter lamentando o ocorrido na família, onde restam agora aqueles menos dignos de consideração. Devo me preocupar? Pergunte ao meu ascendente.
Na mesma quarta, a festa histórica. Porque quem não sabe lidar com sentimentos não consegue pensar nas conseqüências, para o outro, de usufruir de uma grande liberdade. Começou com um beijo. Um conhecido atraente já previamente alvo. Seguido de um beijo lésbico lúdico. Troca de casais. Beijo a três, a quatro. Outra mulher (quem é você?), e as trocas masculinas homossexuais fetiches. Diversão à parte, eu, na verdade, tinha apenas um alvo. Atraente, com referências, e poderia me satisfazer sem as prováveis e desagradáveis conseqüências, telefonemas, do dia seguinte. Perfeito para meu Marte.
E nele foquei ao fim da noite, com a recíproca dele, que havia dado os primeiros passos tácteis. Uma relação de muito Touro, não podia nunca se passificar diante das influências capricornianas. Os loucos beijos que se tornavam ternos. O calor de corpos se cumprimentando pela primeira vez. E aí sim, Touro permitiu a Capricórnio reinar, mas apenas para matar sua vontade; Touro não se demoraria a tomar seu digno posto.
Vestuário moderno que destrói o reinado yangiano de Marte. Do carro pensamos em um colchão. Uma sala desordenadamente aconchegante, mas com direito a "cobertinha chique". Um belo corpo que ia se despindo e mostrando os mais lindos músculos, que se aconchegavam sobre meu corpo satisfeito.
Como desejei ter mais de duas mãos para acarinhar aquela pele deliciosamente macia, que muito por mim foi elogiada. Uma pausa para um importante detalhe desse encontro: os beijos. Das relações casuais que tive, mesmo as que pretendiam ser mais envolventes, nenhuma foi palco de número tão incalculável de beijos não calorosos em si, mas cheios de ternura, aquele estalinho gostoso e quentinho no rosto, pescoço, ao pé do ouvido, seios, barriga... O estalinho com som de amor. Digno do título de "namoro de uma noite só". De repente, surpresa, mais um beijinho gostoso que se mostrava...
O Sol que se apressava em revelar aos poucos a silhueta dos movimentos dos nossos corpos, que brincavam embebidos da adrenalina de serem revelados não apenas por ele. E enfim, a energia taurina reinava, e com orgulho...!
A adrenalina festiva em meu corpo que não me permitia dormir em paz. Cochilos que eram interrompidos pela minha curiosidade em observar aquela sala, rodeada de livros. Marx, Hegel. De quando em vez, Newton. Uma guitarra de pé sobre suporte. Jornais por todos os cantos. E atrás, uma lousinha com problemas filosófico-chapado-matemáticos por resolver. Um riso abafado. As canções dos mais variados pássaros, que despertavam para um novo amanhecer. E a luz do dia que invadia nossas almas, revelando os mais belos olhos verdes, que se abriam lentamente, trazendo junto um sorriso e leves carícias.
Maravilhoso momento de ternura, que permitia a inocência de nossos corpos darem fruto a uma energia única. E o dia que começava... Até que, flagra! Um estranho que abria a porta. Produto da inconseqüência de recém-amantes-amados, que se encolhiam, abafando o riso que não se contia. Mas ainda nada comparado ao flagra mor, digno de posteriores risadas minhas.
-- Vou no banheiro.
E eis que, com a calça na mão, apenas coincidentemente cobrindo o óbvio, e eu, de colo desnudo, apenas encobrindo o também óbvio com o edredom, ouvimos o barulho da porta, que se abria novamente, através da qual surgia, ironicamente, com toda a inocência e surpresa e arrependimento imediato, o mais recente rolo da minha companheira de quarto, usando um cachecol inadequadamente formal para aquela manhã e também restante da vestimenta, e que, pra não simplesmente se fazer de constrangido, ainda solta um "bom dia", que é naturalmente respondido pelo colega, e ainda completado com "como você tá chique!". Depois dessa, nada lhe restou a não ser continuar dissimulando seu mais-do-que-constrangimento, dar uma meia volta, assim como quem SÓ passou ali pra dar bom dia mesmo e voltar para dentro daquele cômodo, de onde ele desejou nunca ter saído naquele momento inoportuno. Quanto a mim ou a nós, rimos! Haha!!
Alguns outros flagras mais tarde (aquilo estava fadado a nunca ser um segredo), beijos com muito carinho, gemidos calorosos, cochilos. O vento forte e possivelmente gélido contorcendo as árvores vistas pela janela, que desestimulava a já pouco existente vontade de sair dali. E o convite para permanecer.
Uma enorme falha: não havia levado meu celular. A completa incerteza do horário, a insegurança da não comunicação com o mundo e consciência de uma importante aula me fizeram privar-me de um dos mais memoráveis momentos da minha vida.
A certeza: "Adorei a sua companhia aqui". A promessa: "Qualquer dia levo um filminho na sua casa pra gente assistir". E a dor no peito da consciência da existência de outros dois elementos impossíveis de serem ignorados, meu namorado e a namorada dele. Pra ele, nada que já não seja comum, para um relacionamento aberto de muito tempo. Já pra mim, a incerteza. Até que para um suposto relacionamento aberto, nada mal beijar vários homens, mulheres e dormir abraçada e nua a um deles, tudo numa noite só.
De quase completo estranho a aventura ao final do dia. De aventura a mais um homem que me arrancará lágrimas. É quase irônica a mudança de visão com relação a ele, é da água para o vinho. Nunca imaginei, desde a primeira menção a seu nome, desde a primeira vista pelo Orkut, e menos ainda depois de pessoalmente, quando manifestei meu quase total desinteresse, mudado apenas muito recentemente, e mesmo assim, apenas pela conquista em si.
Saldo pessoal? Apaixonada.
Quero morrer.
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