Mas quanto açúcar no final daquele mesmo dia! Mensagens de celular não bem entregues, tempestade ameaçando, muitas supostas festas, crédito findando, corre para o computador, problemas com a internet, energia cai, “Vai ao supermercado?”, “Não” (Droga, preciso de condicionador!), uma decisão rápida! Telefone, telefone...! Banho-mais-que-ligeiro, mentirinha, ônibus.
A pequena grande distância compensada por beijos e fortes abraços. Um pouco de conversa fora do quarto – desabafo. Enquanto tomava seu banho, eu tagarelando até pausar para uma espiadinha no chuveiro. E como era sexy! Tanto achei que era de propósito, fiquei quieta. Até o susto: “Você estava aí?!!”. Risadas.
Mais tarde, dominados pela fome, me perdi em teses de relacionamentos, com direito a meus incríveis exemplos com Lego, bolo, matemática. Um dos meus momentos preferidos. Eu ali, monologando loucamente sentada à mesa e ele me olhando docemente, com seu famigerado sorriso de interesse e encanto pela minha voz ecoando pela cozinha, embebida de constantes auto-risadas, e que não ousava interromper nem para um breve comentário. Ouvia silenciosamente curioso. E tanto me embriaguei em meus delírios que só fui perceber que não queria mais bolo quando ele já estava pronto. Sorrindo o mais doce e sincero dos sorrisos: “Quer macarrão?”, não ousando interromper mais do que isso, apenas, e ainda assim com tanta delicadeza, para sondar minhas preferências, “Bem cozido ou mais durinho?”... O estranhamento causado pela silenciosa ausência de minha voz. “Fala alguma coisa você agora!” (não é de se permanecer calado após ouvir sua namorada falar de (in)fidelidade, e assim, com toda essa intrigante abertura e sinceridade que consigo ter com ele), mas foi preciso insistir para ouvir algumas vagas palavras, que concordavam apenas em parte com as minhas, embora também não quisessem disputá-las.
Comemos juntos, nos posicionados à mesa da mesma forma como sempre fizemos desde a primeira vez, desde o primeiro macarrão. Olhares profundos, mãos se acariciando, risadas e mais blablablá. “Tem suco?”. Sempre podendo abusar, abuso. Um pequeno furto na geladeira (“Amanhã vamos ao supermercado!”), diversões à parte, aquelas bobas que fazem os que amam rirem horrores. Suco aguado, ugh!
Depois fomos pra sala, nem um pouco menos interessante, mas meu segundo momento preferido da noite. Lá, à luz apenas da tv e de uma lâmpada no corredor, fomos nos despindo lentamente até nos entregarmos ao mais denso momento de prazer, daqueles de perder o chão, o fôlego. Ali permanecemos semidespidos, curtindo o momento, conversando, as pontas dos dedos relaxados acariciando meu rosto, meus cabelos, meus seios, minha barriga, minhas pernas, “meus pezinhos”...
Então, uma última parada na madrugada para comer o bolo, aquele mesmo, com suco, e irmos pra cama, nos entregar nos braços um do outro.
De lá só saímos muitas horas depois, após um maravilhoso descanso, muitas carícias, conversas, paixão, até sermos vencidos novamente pela fome. Um banho juntos e já era hora de dizer adeus, ou melhor, até amanhã.
O melhor final-de-semana ever antes de eu voltar à triste realidade dos meus conflitos...
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