Um maluco. Era sutilmente cortejada pela menina com quem outrora havia ficado, a mesma daquela festa anterior. Eis que me surge, já com ar de conhecido, dizendo-me que me via por um famigerado bar, o mesmo que outrora freqüentava para ir de encontro àquele que já passou. Porém não trouxe perguntas prontas, não me fez entrevistada. E assim, prendeu-me a atenção.
"Eu adoro você". No presente do indicativo, embora fosse a primeira vez que me falasse. Caralho, mas tinha um sorriso! E não fingia modéstia, assim como sabia que no fundo eu também sei o cabelo deslumbrante que possuo. Uma franqueza e percepção tamanhas que não me atrevia a dar-lhe sua sentença final de morte antes de mais uma pequena mostra de que poderia ser mesmo intrigantemente interessante, não antes que se completassem mil e uma noites.
A menina? Que menina? Já beijava outra. Ele, por sua vez, afirmou que não me tentaria beijar. Faria-me confiar nele, pois o que queria era me conhecer. E me adorava. Temas realmente interessantes a mim e, acima de tudo, abria sua vida de forma bem natural, dando-me confiança a ponto de eu mesma passar a lhe contar fatos próprios.
Do primeiro minuto ao último, repetiu algo como uma dezena de vezes seu e-mail, o qual manteria arquivado numa gavetinha mental que abriria eu de vez em quando apenas para cogitar a contrariedade de uma decisão já por mim estabelecida naquele adeus seguido de "a gente se encontra por aí". Nada apreciado por quem ouviu.
Dados em mente, mapa astral. Ascendente, quadratura. Não. Meu carimbo e assinatura abaixo.
Pouco mais de dois meses. Uma das mais agradáveis festas até o presente. Em meio à multidão, ele. Perdi. Dancei, bebi, fumei, ri. Viro-me, sorrio. "Eu falei que nos veríamos por aí.", "Hoje você me dará seu contato!", "Eu ainda sei seu e-mail.", "E por que não me escreveu?", "Rsrs..." Da noite, bastou.
Orkut. Passou-me mais informações pessoais. Insistência, e-mail. Convite para jantar. Jantar, o quê?? Quem, aqui em meu mundinho, já me chamou pra jantar?? Dias desesperada entre "que roupa?", "salto?", "mostrarei minha lingerie?", "divide-se a conta?", "vergonha", "afinal, aceito ou não?". Paranóias levadas pelo já telefonema a combinar já não mais um jantar, almoço.
Amanhã. Um desconhecido que foi capaz de me dobrar. Ganhou minha atenção, minha verdade, meu Orkut, meu e-mail, meu telefone, minha companhia para almoçar. Seis de Copas. E amanhã veremos o que mais será capaz de ganhar de mim.
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