sexta-feira, 9 de abril de 2010

Depressão absoluta. Em primeiro lugar, tenho um enorme problema pra lidar com sentimentos. Não sei ser equilibrada, ou eu choro sem ter ligação nenhuma com o ocorrido, ou faço uma piada estúpida pra descontrair o ambiente (nas piores situações!). Uma morte importante na família do meu namorado e um comentário escroto meu. Mando à noite um e-mail pedindo desculpas, isso na quarta. Ontem uma mensagem no celular. Hoje caixa postal no celular. Todas as páginas da internet desatualizadas, salvo por uma última mensagem no Twitter lamentando o ocorrido na família, onde restam agora aqueles menos dignos de consideração. Devo me preocupar? Pergunte ao meu ascendente.

Na mesma quarta, a festa histórica. Porque quem não sabe lidar com sentimentos não consegue pensar nas conseqüências, para o outro, de usufruir de uma grande liberdade. Começou com um beijo. Um conhecido atraente já previamente alvo. Seguido de um beijo lésbico lúdico. Troca de casais. Beijo a três, a quatro. Outra mulher (quem é você?), e as trocas masculinas homossexuais fetiches. Diversão à parte, eu, na verdade, tinha apenas um alvo. Atraente, com referências, e poderia me satisfazer sem as prováveis e desagradáveis conseqüências, telefonemas, do dia seguinte. Perfeito para meu Marte.

E nele foquei ao fim da noite, com a recíproca dele, que havia dado os primeiros passos tácteis. Uma relação de muito Touro, não podia nunca se passificar diante das influências capricornianas. Os loucos beijos que se tornavam ternos. O calor de corpos se cumprimentando pela primeira vez. E aí sim, Touro permitiu a Capricórnio reinar, mas apenas para matar sua vontade; Touro não se demoraria a tomar seu digno posto.

Vestuário moderno que destrói o reinado yangiano de Marte. Do carro pensamos em um colchão. Uma sala desordenadamente aconchegante, mas com direito a "cobertinha chique". Um belo corpo que ia se despindo e mostrando os mais lindos músculos, que se aconchegavam sobre meu corpo satisfeito.

Como desejei ter mais de duas mãos para acarinhar aquela pele deliciosamente macia, que muito por mim foi elogiada. Uma pausa para um importante detalhe desse encontro: os beijos. Das relações casuais que tive, mesmo as que pretendiam ser mais envolventes, nenhuma foi palco de número tão incalculável de beijos não calorosos em si, mas cheios de ternura, aquele estalinho gostoso e quentinho no rosto, pescoço, ao pé do ouvido, seios, barriga... O estalinho com som de amor. Digno do título de "namoro de uma noite só". De repente, surpresa, mais um beijinho gostoso que se mostrava...

O Sol que se apressava em revelar aos poucos a silhueta dos movimentos dos nossos corpos, que brincavam embebidos da adrenalina de serem revelados não apenas por ele. E enfim, a energia taurina reinava, e com orgulho...!

A adrenalina festiva em meu corpo que não me permitia dormir em paz. Cochilos que eram interrompidos pela minha curiosidade em observar aquela sala, rodeada de livros. Marx, Hegel. De quando em vez, Newton. Uma guitarra de pé sobre suporte. Jornais por todos os cantos. E atrás, uma lousinha com problemas filosófico-chapado-matemáticos por resolver. Um riso abafado. As canções dos mais variados pássaros, que despertavam para um novo amanhecer. E a luz do dia que invadia nossas almas, revelando os mais belos olhos verdes, que se abriam lentamente, trazendo junto um sorriso e leves carícias.

Maravilhoso momento de ternura, que permitia a inocência de nossos corpos darem fruto a uma energia única. E o dia que começava... Até que, flagra! Um estranho que abria a porta. Produto da inconseqüência de recém-amantes-amados, que se encolhiam, abafando o riso que não se contia. Mas ainda nada comparado ao flagra mor, digno de posteriores risadas minhas.

-- Vou no banheiro.

E eis que, com a calça na mão, apenas coincidentemente cobrindo o óbvio, e eu, de colo desnudo, apenas encobrindo o também óbvio com o edredom, ouvimos o barulho da porta, que se abria novamente, através da qual surgia, ironicamente, com toda a inocência e surpresa e arrependimento imediato, o mais recente rolo da minha companheira de quarto, usando um cachecol inadequadamente formal para aquela manhã e também restante da vestimenta, e que, pra não simplesmente se fazer de constrangido, ainda solta um "bom dia", que é naturalmente respondido pelo colega, e ainda completado com "como você tá chique!". Depois dessa, nada lhe restou a não ser continuar dissimulando seu mais-do-que-constrangimento, dar uma meia volta, assim como quem SÓ passou ali pra dar bom dia mesmo e voltar para dentro daquele cômodo, de onde ele desejou nunca ter saído naquele momento inoportuno. Quanto a mim ou a nós, rimos! Haha!!

Alguns outros flagras mais tarde (aquilo estava fadado a nunca ser um segredo), beijos com muito carinho, gemidos calorosos, cochilos. O vento forte e possivelmente gélido contorcendo as árvores vistas pela janela, que desestimulava a já pouco existente vontade de sair dali. E o convite para permanecer.

Uma enorme falha: não havia levado meu celular. A completa incerteza do horário, a insegurança da não comunicação com o mundo e consciência de uma importante aula me fizeram privar-me de um dos mais memoráveis momentos da minha vida.

A certeza: "Adorei a sua companhia aqui". A promessa: "Qualquer dia levo um filminho na sua casa pra gente assistir". E a dor no peito da consciência da existência de outros dois elementos impossíveis de serem ignorados, meu namorado e a namorada dele. Pra ele, nada que já não seja comum, para um relacionamento aberto de muito tempo. Já pra mim, a incerteza. Até que para um suposto relacionamento aberto, nada mal beijar vários homens, mulheres e dormir abraçada e nua a um deles, tudo numa noite só.

De quase completo estranho a aventura ao final do dia. De aventura a mais um homem que me arrancará lágrimas. É quase irônica a mudança de visão com relação a ele, é da água para o vinho. Nunca imaginei, desde a primeira menção a seu nome, desde a primeira vista pelo Orkut, e menos ainda depois de pessoalmente, quando manifestei meu quase total desinteresse, mudado apenas muito recentemente, e mesmo assim, apenas pela conquista em si.

Saldo pessoal? Apaixonada.

Quero morrer.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Puta, bêbada e drogada.

sexta-feira, 26 de março de 2010

Tenho agora outra vida. !!!!!!!!!! Dei um grande passo para a minha liberdade (vida de adulta?): saí de casa. A incrível transformação da minha mãe. Nas últimas duas semanas tem me tratado como já nem me lembrava ser tratada. Resta-lhe apenas a preocupação de mãe, "Está comendo bem?", "Estou lhe achando muito magrinha!" ("Claro", mãe...), mas já não se revolta. Estamos tão bem que até tenho saudade de casa e vontade de conversar! Atingimos um maravilhoso equilíbrio, creio.

Fiz o primeiro ovo da minha vida há umas três semanas. Ah, nada de mais. Era apenas preguiça. Mas tudo que vem com manual de instruções ajuda. Contudo, a boa vida sempre vem acompanhada de responsabilidades. Ou pego o restaurante da faculdade aberto, ou tenho que me virar depois. Se não lavo minha roupa, é somente roupa suja que terei. Lave esse banheiro, pra não sentir nojo de usá-lo mais tarde. E é gostoso, confesso. Confesso também que estarei odiando não muito em breve, mas ainda assim, agora, adoro. Há toda uma conquista por trás de cada passada de pano no chão.

Mas, e a vida acadêmica, Deus? Monografia! Lembrar-me que preciso disso pra me formar! Hoje até que finalmente acordei bem. Ultimamente tenho até me preocupado com a minha falta de energia. Despendi muita nessa brincadeira. O físico já está pelo mesmo caminho que o espiritual. Muitas providências a se tomar.

A liberdade não se limita às horas que posso acordar e dormir. Tenho a liberdade de amar! E, ironicamente, é essa mesma liberdade que me faz querê-lo ao meu lado, tanto que nem fiz proveito desse meu amor aquariano... As oportunidades bem que vieram, mas quando já não é mais proibido, bem que se torna um pouco tolo. E quem liga? É a sensação de encher os grandes pulmões de ar que me fascina! As conseqüências são apenas elas.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Mas quanto açúcar no final daquele mesmo dia! Mensagens de celular não bem entregues, tempestade ameaçando, muitas supostas festas, crédito findando, corre para o computador, problemas com a internet, energia cai, “Vai ao supermercado?”, “Não” (Droga, preciso de condicionador!), uma decisão rápida! Telefone, telefone...! Banho-mais-que-ligeiro, mentirinha, ônibus.

A pequena grande distância compensada por beijos e fortes abraços. Um pouco de conversa fora do quarto – desabafo. Enquanto tomava seu banho, eu tagarelando até pausar para uma espiadinha no chuveiro. E como era sexy! Tanto achei que era de propósito, fiquei quieta. Até o susto: “Você estava aí?!!”. Risadas.

Mais tarde, dominados pela fome, me perdi em teses de relacionamentos, com direito a meus incríveis exemplos com Lego, bolo, matemática. Um dos meus momentos preferidos. Eu ali, monologando loucamente sentada à mesa e ele me olhando docemente, com seu famigerado sorriso de interesse e encanto pela minha voz ecoando pela cozinha, embebida de constantes auto-risadas, e que não ousava interromper nem para um breve comentário. Ouvia silenciosamente curioso. E tanto me embriaguei em meus delírios que só fui perceber que não queria mais bolo quando ele já estava pronto. Sorrindo o mais doce e sincero dos sorrisos: “Quer macarrão?”, não ousando interromper mais do que isso, apenas, e ainda assim com tanta delicadeza, para sondar minhas preferências, “Bem cozido ou mais durinho?”... O estranhamento causado pela silenciosa ausência de minha voz. “Fala alguma coisa você agora!” (não é de se permanecer calado após ouvir sua namorada falar de (in)fidelidade, e assim, com toda essa intrigante abertura e sinceridade que consigo ter com ele), mas foi preciso insistir para ouvir algumas vagas palavras, que concordavam apenas em parte com as minhas, embora também não quisessem disputá-las.

Comemos juntos, nos posicionados à mesa da mesma forma como sempre fizemos desde a primeira vez, desde o primeiro macarrão. Olhares profundos, mãos se acariciando, risadas e mais blablablá. “Tem suco?”. Sempre podendo abusar, abuso. Um pequeno furto na geladeira (“Amanhã vamos ao supermercado!”), diversões à parte, aquelas bobas que fazem os que amam rirem horrores. Suco aguado, ugh!

Depois fomos pra sala, nem um pouco menos interessante, mas meu segundo momento preferido da noite. Lá, à luz apenas da tv e de uma lâmpada no corredor, fomos nos despindo lentamente até nos entregarmos ao mais denso momento de prazer, daqueles de perder o chão, o fôlego. Ali permanecemos semidespidos, curtindo o momento, conversando, as pontas dos dedos relaxados acariciando meu rosto, meus cabelos, meus seios, minha barriga, minhas pernas, “meus pezinhos”...

Então, uma última parada na madrugada para comer o bolo, aquele mesmo, com suco, e irmos pra cama, nos entregar nos braços um do outro.

De lá só saímos muitas horas depois, após um maravilhoso descanso, muitas carícias, conversas, paixão, até sermos vencidos novamente pela fome. Um banho juntos e já era hora de dizer adeus, ou melhor, até amanhã.

O melhor final-de-semana ever antes de eu voltar à triste realidade dos meus conflitos...

domingo, 10 de janeiro de 2010

Está tudo dando tão certo na minha vida que chega a dar medo. Recebi uma bolsa da universidade, a mesma que não tinha sido aprovada pra mim mês passado, mas que, por insistência da minha orientadora, fui aprovada no processo de seleção. Era necessário mais bolsistas para a área em que vou atuar. O recebimento desta bolsa faz com que tudo tenha dado ainda mais certo com relação à minha retirada do ninho. Embora o valor do aluguel previamente proposto tenha subido em decorrência de reajustes de início de ano, ainda está dentro do que acredito poder arcar. E já tinha dito antes: o lugar é ótimo, as pessoas são maravilhosas e consegui uma ótima companheira de quarto. Mesmo assim, essa bolsa que eu recebi é apenas uma garantia, porque na verdade vou tentar uma Iniciação Científica que, segundo o meu orientador, tem tudo para dar certo.

Além disso, aquilo que eu mais temia, um novo relacionamento, aconteceu. Mas desta vez não estou com medo, talvez até porque esteja loucamente apaixonada, mas se o estou, é porque ele atende a tudo aquilo que eu sempre esperei de um homem. Finalmente alguém que confia em mim verdadeiramente. O que me acontecia antes era que tudo de estranho que eu falava, se eu não apresentasse as fontes, e confiáveis, virava motivo de chacota ou no mínimo recebia um olhar torto. Mas desta vez não. Mais ainda do que obter confiança, eu também sou aceita como sou. Aliás, melhor do que isso, sou tão amada do jeito que sou, que ele morre de medo que eu mude alguma coisa em favor dele, ou seja, mesmo que eu queira mudar, tenho total liberdade pra isso, e ainda serei aplaudida por ter a coragem de querer experimentar um novo eu e também surpreendê-lo mais a cada dia. E claro que não poderia deixar de mencionar o quanto eu sou verdadeiramente desejada como mulher. Agora sim estou realizando a, tão almejada pra mim, canção “O meu amor”, do encantador Chico Buarque.

Até meu celular, esse artefato milenar que eu carrego, voltou de mais uma crise! Viva!

Contudo... existe somente uma angústia em minha vida. Minha mãe não está nada satisfeita com a minha saída de casa. Não somente pelo fato de sair, mas por não ter participado dos planos para que isso ocorresse, o que obviamente nunca poderia acontecer em virtude do próprio fato de ela nunca querer que eu saísse de casa, que não fosse vestida de branco e com um anel dourado no dedo. Simplesmente impossível. E mais impossível ainda é conversar com ela, que não me aceita nem na unha do dedinho do pé. Porque eu nasci sob uma resposabilidade muito grande, a de salvar a vida dela, que tendia ao barranco. Só que eu nunca soube assumir esse posto, sempre fui distante e calada, e um tanto quanto egoísta. Mas ela acredita que isso seja uma postura com relação a ela, e não fruto da minha personalidade. Pensa que eu não a amo e não confio nela. E é aí que as coisas se enroscam. Primeiro porque eu não amo ninguém pelo simples posto que ele ocupa na minha vida. Eu procuro sim amar as pessoas – porque ainda não alcancei como mestre esse título xamânico --, mas não o faço gratuitamente só por carregarem a mesma carga genética que eu. A vida, pra mim, é um composto de peças teatrais, em cada encarnação você assume um papel, e nesta peça ela é minha mãe. Em outra peça podemos até mesmo inverter os papéis. E aí dói nela saber que a amo tanto quanto amo qualquer outro ser que amo no Universo, seja ele um amigo da faculdade ou um cachorro. E quanto à confiança, bem, para alguém com mania de perseguição e que já teve seus segredos revelados aos ventos e até mesmo usados contra si mesmo, é realmente difícil se abrir com tanta disposição. Sem contar a enorme divergência de personalidades e pontos de vista, que impossibilitam de vez o bom caminhar de um diálogo saudável.

Então o negócio é se apegar aos orixás e torcer para que em breve ela perceba o quanto essa mudança vai nos fazer bem, e que, longe ou perto dela, não vou deixar de amá-la. Mesmo que eu seja capaz de me esquecer de lhe telefonar de vez em quando.